Censura indireta do governo ameaça jornal quase centenário da Nicarágua Reprodução

Censura indireta do governo ameaça jornal quase centenário da Nicarágua

O jornal nicaraguense La Prensa, criado há 93 anos, está prestes a encerrar sua edição impressa devido à censura indireta imposta pelo governo da Nicarágua, informou o diretor e presidente do diário, Jaime Chamorro Cardenal.

O governo do presidente Daniel Ortega retém há mais de 48 semanas, por meio da Direção Geral de Aduanas (DGA), a entrega de tinta, papel e outros suprimentos de impressão ao jornal. “A alfândega não responde a cartas, não atende chamadas telefônicas, não responde a nada. Não há comunicação com eles, não há nada. Parece que é definitivamente uma ordem da presidência, porque o que eles pensam é terminar o jornal, pelo menos no papel”, afirma Chamorro Cardenal.

A retenção de insumos começou em setembro de 2018. Desde então, o La Prensa decidiu imprimir 30% de suas páginas em preto e branco e reduzir a quantidade de páginas de suas edições.  O jornal também tem enfrentado ataques cibernéticos a sua página na internet.

La Prensa é o jornal mais antigo da Nicarágua e durante anos fez oposição à ditadura dos Somoza, quando foi censurado. Em janeiro de 1978, o assassinato do diretor do jornal, Pedro Joaquín Chamorro, contribuiu para a formação de uma ampla frente de oposição à ditadura que culminou, em 1979, na Revolução Sandinista.  

Nos anos 1980, o jornal também foi censurado pelos sandinistas. Em 1990, Violeta Barrios de Chamorro, viúva do diretor assassinado, derrotou Daniel Ortega em eleição que deu fim à Revolução Sandinista. "Em nenhuma ditadura nos haviam retenido papel como agora", diz Jaime Chamorro, irmão de Pedro Joaquín Chamorro.

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