Resiliência e inovação são marcas da mídia em países de baixa liberdade de imprensa Reprodução/WAN-IFRA

Resiliência e inovação são marcas da mídia em países de baixa liberdade de imprensa

A busca por modelos de negócios sustentáveis na era digital é um duro desafio para organizações de mídia de todo o mundo, mas os obstáculos são ainda maiores para as empresas sediadas em países onde a forte pressão política e a depressão econômica atacam as liberdades de imprensa e de expressão. Novo relatório da Associação Mundial de Jornais e de Editores (WAN-IFRA) revela que essas organizações têm feito um enorme esforço de resiliência para colocar em prática iniciativas inovadoras, incluindo as voltadas à monetização e à distribuição digital, para modernizar suas operações e, com isso, oferecer melhor defesa à liberdade de imprensa. Os resultados, porém, esbarram nas limitações de quem enfrenta dificuldades locais somadas a problemas que afetam a mídia como um todo, como os efeitos nocivos do duopólio digital formado Google e Facebook.

O estudo analisa empresas de mídia no Quênia, África do Sul, Uganda, Indonésia, Malásia, Filipinas, Egito, Jordânia, Palestina, Colômbia, Equador e México. Entre esses países, apenas a África do Sul não é uma área considerada politicamente pressionada de acordo com o Índice Mundial de Liberdade de Imprensa de 2018. “O relatório encontra muita experimentação em torno das receitas digitais no esforço de se adaptar às mudanças digitais, no entanto, a quantidade de receita gerada permanece pequena na maioria dos casos”, diz o estudo, conduzido por Clare Cook, pesquisadora do Media Innovation Studio, no Reino Unido.

O relatório, elaborado com dados coletados entre 2016 e 2018, identifica como a mídia digital enfrenta um conjunto particular de desafios, incluindo pressões e restrições de negócios. Aborda questões como as relacionadas às dificuldades para registro online ou altos níveis de tributação e, ao mesmo tempo, a pressão adicional de controles governamentais sobre anunciantes e agências de publicidade controladas pelo governo. O estudo identificou que, apesar disso, a maior parte dos editores consultados desenvolvem estratégias que tem por objetivo elevar as receitas, como os publishers de todo o mundo. Há forte colaboração, com os veículos procurando trabalhar, formal ou informalmente, em redes de compartilhamento de conhecimento.

Os modelos de receita, diz a pesquisa, têm de se adaptar muito rapidamente às oportunidades que surgem dentro da lógica de um ambiente hostil à imprensa. O mesmo ocorre nas estruturas de preços de publicidade, área em que os consórcios se apresentam como alternativa. Apenas quatro editores mantinham no momento da pesquisa a associação de leitores como fonte de financiamento ou modelos de assinatura.

Nas redações, prossegue o estudo, as percepções e análises do público-alvo têm elevada relevância na decisão de quais temas devem ser explorados e como deve ser o seu tratamento editorial. As decisões sobre quais conteúdos serão aprofundados passam pela intenção de causar impacto positivo nas comunidades. Em busca de engajamento, muitas organizações dos países analisados oferecem ainda a seus leitores projetos que incluem eventos com anúncios de acompanhamento ou conteúdo patrocinado, além de estratégias de engajamento orgânico nas redes sociais, em alguns casos com equipes dedicadas à função.

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https://blog.wan-ifra.org/2019/07/08/unlocking-journalism-resilience-adapting-a-digital-business-model-to-promote-press-freedoc