Pesquisa revela que jornalistas usam tecnologia para combater ameaças e desinformação, mas na AL processo é mais lento

Pesquisa revela que jornalistas usam tecnologia para combater ameaças e desinformação, mas na AL processo é mais lento

O Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, na sigla em inglês) lançou seu relatório anual sobre as tendências no uso de tecnologia em redações pelo mundo, informa a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). A pesquisa, segundo o site da entidade, aponta que redações em todo o mundo adotam em número cada vez maior diversas ferramentas digitais para proteger sua comunicação e suas equipes. No entanto, há disparidade entre as regiões estudadas: na América Latina, 64% dos veículos usam ferramentas para comunicação segura; na Europa esse índice é de 92%.

Joyce Barnathan, presidente do ICFJ, destacou entre as tendências as ligadas ao cenário de ataques físicos e virtuais contra jornalistas e veículos de comunicação. Além de usar a tecnologia para proteção, em comparação com 2017, dobrou o número de jornalistas que utilizam mídias sociais para realizar a checagem de fatos. Por isso, na América Latina, a habilidade no uso de redes sociais está entre as mais valorizadas na hora da contratação, seguida por experiência com edição de vídeo, áudio e jornalismo de dados.

Essas habilidades, apesar de exigidas, raramente são abordadas em treinamentos realizados por veículos para suas equipes. Além disso, o estudo descobriu que repórteres e diretores têm visões divergentes sobre quais treinamentos são mais importantes. Enquanto a maioria das redações oferece cursos de produção de vídeo e áudio, os jornalistas estão interessados em inteligência artificial, segurança digital, podcast, ferramentas de checagem de fatos e de divulgação em redes sociais, relatou a Abraji.

Em quatro das oito regiões analisadas pelo estudo, dentre elas a América Latina, mulheres ocupam metade ou mais da metade dos cargos de comando em redações. Além disso, o estudo apontou que América do Norte e Europa superam a média global e têm mais jornalistas mulheres do que homens na redações. Enquanto no mundo a taxa é de 40%, essas duas regiões têm 56% e 51%, respectivamente.

Em comparação com as pesquisas anteriores, os dados apontam que a publicidade deixou de ser a principal fonte de renda da maioria dos veículos, que passaram a contar com filantropia, contribuições, conteúdos patrocinados e campanhas de assinatura. Aqueles sem fins lucrativos são os que possuem fontes de renda mais diversificadas: 28% da receita provém de conteúdos patrocinados, 24% de serviços pagos e 20% de patrocínios governamentais.

O documento resulta da pesquisa State of Technology in Global Newsrooms (O estado da tecnologia em redações globais), realizada pela primeira vez em 2017. Neste ano foram entrevistados cerca de 4 mil jornalistas de 149 países.

Leia mais no site da Abraji:

https://www.abraji.org.br/noticias/jornalistas-usam-tecnologia-para-combater-ameacas-e-desinformacao-aponta-icfj