UE contesta alegações do Facebook de progresso no combate à desinformação Reprodução

UE contesta alegações do Facebook de progresso no combate à desinformação

A Comissão Europeia acusou, nesta terça-feira (29), o Facebook e outras empresas de tecnologia de superdimensionar seus esforços na contenção de contas falsas e desinformações nas redes sociais, informou o jornal britânico The Guardian.

O comissário responsável pela União da Segurança do bloco europeu, Julian King, disse que ainda há uma desconexão entre o que as companhias afirmam ter progredido no combate à desinformação e a "experiência na vida real". Para King, há ainda “desinformação demais” nas mídias interativas.

O comissário citou como exemplo estudo da Universidade George Washington que constatou que, no período que antecedeu e durante as eleições europeias, o partido de extrema-direita Alternative für Deutschland (AfD) na Alemanha obteve 11% dos votos no total, mais tinha 86% do total de compartilhamentos e 75% de todos os comentários sobre o conteúdo político no Facebook.

"A grande maioria das curtidas e compartilhamentos veio de um grupo de 80.000 contas que estavam retuitando muito essas coisas e têm muitos das características de contas falsas", advertiu King. "Em particular, as mais ativas – cerca de 20.000 contas – tinham nomes e sobrenomes aleatórios de duas letras. Por exemplo, MX, CH, EW, que por acaso não seriam nomes legais se você tentasse se registrar em uma certidão de nascimento na Alemanha”, completou.

O Facebook informou recentemente ter desabilitado mais de 2,2 bilhões de contas falsas nos primeiros três meses do ano, segundo dados fornecidos pelo CEO da companhia, Mark Zuckerberg, ao Senado dos Estados Unidos. O bilionário disse ainda que a rede social removeu, no mesmo período, cerca de 7.600 contas, páginas e grupos envolvidos em comportamento suspeito.

"Eles [Facebook] definitivamente estão afetando o fluxo, estão impedindo a instalação de algumas dessas coisas [contas falsas]. Mas ainda há bastante dessas coisas lá. Isso pode ter um impacto desproporcional, porque um número relativamente pequeno de contas falsas pode gerar uma quantidade enorme de atividade", disse King. “Se uma plataforma como o Facebook, com seus recursos e conhecimentos, não consegue descobrir que milhares de contas coordenadas com nomes aleatórios de duas letras são suspeitas e estão envolvidas nesse tipo de atividade no contexto da eleição, quando colocamos todo esse foco nele, ainda temos um longo caminho a percorrer”, acrescentou.

King disse que as empresas de tecnologia precisariam se abrir a um exame mais minucioso a organizações externas para que a União Europeia (UE) cumpra o código de conduta voluntário. Um relatório adicional em janeiro revelará as reações dos estados membros da UE aos esforços das gigantes digitais nos últimos 12 meses.

Os comentários de King dizem respeito aos primeiros relatórios anuais de autoavaliação apresentados pelo Facebook, Google, Microsoft, Mozilla, Twitter e por sete associações europeias no âmbito do Código de Conduta sobre a Desinformação, divulgados pela Comissão Europeia. O Código de Conduta, que prevê uma autorregulação, foi lançado em outubro de 2018 e constitui um importante pilar do Plano de Ação contra a Desinformação. A Comissão reconhece que, em geral, houve avanços, mas os considera ainda insuficientes.

Leia mais em:

https://www.theguardian.com/world/2019/oct/29/europe-accuses-facebook-of-being-slow-to-remove-fake-accounts

https://europa.eu/rapid/press-release_STATEMENT-19-6166_pt.htm