Jornalistas são alvo porque são fonte de informação e conhecimento, um poder construtivo, diz editor do NYT Foto: Hélvio Romero/O Estado de S.Paulo

Jornalistas são alvo porque são fonte de informação e conhecimento, um poder construtivo, diz editor do NYT

O poder não é violência, mas a constante construção das relações que criam oportunidades para todos, com cada vez mais diversidade. É esse também o poder do jornalismo profissional, fonte das informações e do conhecimento que resultam dessas relações. Infelizmente, é justamente por isso que os jornalistas têm sido com cada vez mais frequência alvo de ataques, assédio e intimidação, segundo o jornalista Peter Catapano, um dos editores de opinião do jornal The New York Times. 

“Eles são alvo por razões óbvias”, disse o jornalista nesta quarta-feira (30), em São Paulo. “Eles divulgam informação e informação é uma fonte de poder. Silenciar e eliminar fontes de informação são formas de proteger quem está no poder”, afirmou Catapano em painel no Estadão Summit Brasil -  O que é poder?, promovido pelo jornal O Estado de S.Paulo.

O jornalista destacou o papel do jornalismo em questionar sobre os grandes temas da sociedade, informou o jornal paulista. Catapano afirmou que jornalistas estão bem próximos dos filósofos. Ambos analisam fatos e tiram conclusões sobre a verdade de uma situação. “A diferença é que o jornalismo tem a urgência que a filosofia não tem”, disse ele. “E a filosofia se baseia na contemplação para a qual muitos jornalistas não têm tempo”.

Ao esmiuçar questão sobre poder, o jornalista disse que o quanto antes a humanidade compreender que se trata de constante construção de relações, com a participação de todos, mais rapidamente entenderá “quem somos e o que podemos fazer em seguida”. Catapano, de acordo com relato de O Estado de S.Paulo, criou em 2010 a série The Stone, um espaço para divulgar artigos de pensadores sobre tópicos atuais e grandes questões da sociedade. De maio a junho deste ano, o The New York Times publicou 14 textos de filósofos, ativistas, escritores e ensaístas buscaram responder a essa mesma pergunta: o que é poder?

 “Surpreendentemente, poucas das respostas que recebemos eram abertamente políticas”, lembrou o jornaluista. “A maioria eram narrativas empolgantes e filosóficas sobre o poder da liberdade individual e de expressão, o feminismo e o patriarcado, as forças da natureza. Houve até uma rejeição bem-humorada sobre a necessidade de poder tradicional”.

Diversidade

Essa diversidade de opiniões foi celebrada por Catapano. Segundo ele, uma das mais frequentes simplificações sobre o conceito de poder é reduzi-lo à força física, violência ou guerra. Outra concepção reducionista é pensar apenas no poder econômico, na riqueza de um indivíduo, informou O Estado de S.Paulo.

O jornalista citou o filósofo francês Michel Foucault como o pensador que mais perto chegou de entender a miríade de formas com que o poder se manifesta. “O poder está em todo lugar, é uma força que permeia toda a experiência humana”, parafraseou Catapano. “Há poder nas relações do cotidiano, de comércio, de amor e sexo, de crime e punição, de normas sociais, e, mais importante, no próprio conhecimento”.

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