ANJ repudia declaração de Bolsonaro sobre cancelamento de assinaturas da Folha: menos pluralidade e prejuízo à gestão pública Reprodução/AFP

ANJ repudia declaração de Bolsonaro sobre cancelamento de assinaturas da Folha: menos pluralidade e prejuízo à gestão pública

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) repudiou a declaração do presidente da República, Jair Bolsonaro, segundo a qual ele determinou o cancelamento da assinatura do jornal Folha de S.Paulo por órgãos do governo federal. Outras entidades ligadas ao jornalismo também criticaram a manifestação de Bolsonaro durante entrevista à TV Bandeirantes nesta quinta-feira (31).

"Determinei que todo o governo federal rescinda e cancele a assinatura da Folha de S.Paulo. A ordem que eu dei [é que] nenhum órgão do meu governo vai receber o jornal Folha de S.Paulo aqui em Brasília. Está determinado. É o que eu posso fazer, mas nada além disso", disse o presidente. Para a ANJ e demais entidades, o presidente promove novo ataque à liberdade de imprensa e aos princípios da gestão pública.

“A ANJ lamenta que, assim como agiu o presidente Donald Trump há poucos dias, o presidente Jair Bolsonaro escolha caminho idêntico, o que significará menos pluralidade e informação profissional para o serviço federal”, disse Marcelo Rech, presidente da ANJ. Recentemente Trump ordenou que agências federais do governo norte-americano não renovem as assinaturas dos jornais The New York Times e The Washington Post.

“Mesmo que as assinaturas para governos representem uma receita ínfima para jornais, a livre circulação de notícias e ideias ajuda a construir políticas públicas, a corrigir rumos e aperfeiçoar caminhos na administração pública”, enfatizou Rech, ao comentar a fala de Bolsonaro.

Maria José Braga, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), disse ser "inadmissível que o presidente aja sem nenhum respeito ao cargo que ocupa e à democracia", informou a Folha de S.Paulo. "Como presidente, ele tem o dever de zelar pela observação da Constituição, na qual estão garantidas as liberdades de expressão e de imprensa. Mas, ao contrário, ele usa o cargo para ameaçar e agredir jornalistas e ameaçar e retaliar veículos de comunicação que fazem jornalismo. É preciso uma reação à altura. A sociedade brasileira não pode naturalizar e admitir o arbítrio e o obscurantismo."

O presidente Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Daniel Bramatti, divulgou nota dizendo que o presidente Bolsonaro retalia jornalistas. "Um governante não pode se utilizar do poder do cargo para promover retaliação a um veículo de imprensa em razão do conteúdo que ele publica. Trata-se de mais uma demonstração de descaso do presidente em relação aos princípios da impessoalidade e da liberdade de expressão, ambos consagrados em nossa Constituição”, disse o presidente da Abraji.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, disse, em nota, informou a Folha de S.Paulo, que "mais uma vez o presidente demonstra seu pouco apreço ao livre debate, essencial à democracia, e sua intolerância com o contraditório. É também um grave sinal de que está em risco a impessoalidade na administração pública, princípio que qualquer governante tem obrigação de observar. A retaliação e a postura discriminatória são próprias dos governantes autoritários".

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