Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa: "A censura, com formas novas ou antigas, está retornando”, alerta presidente da associação mundial de editores Adriana Lorete/WAN-IFRA

Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa: "A censura, com formas novas ou antigas, está retornando”, alerta presidente da associação mundial de editores

A desinformação digital é, segundo o presidente da Associação Mundial de Editores de Notícias (WAN-IFRA, na sigla em inglês), Fernando de Yarza López-Madrazo, uma poderosa ferramenta de governos autoritários e, mais recentemente, também de forças políticas em diversas democracias para o ataque às liberdades e à democracia. “Em contraponto ao bom jornalismo baseado em credibilidade e ética reapareceu com mais fúria do que nunca um inimigo que não é velho, mas que foi renovado e modernizado, graças às novas tecnologias. O que durante séculos foi chamado simplesmente de jornalismo marrom e mentiras, agora é chamado de notícias falsas”, enfatizou López-Madrazo durante a entrega do Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa, nesta segunda-feira (11) no Rio de Janeiro. 

O presidente da WAN-IFRA lembrou que, no ano passado, 80 jornalistas foram mortos em todo o mundo, vinte a mais que em 2017, enquanto crescem as  frentes de poderosos, muitos deles em governos, contra o jornalismo independente. “Agora mesmo, ser jornalista no México, Irã, Arábia Saudita, Egito, Turquia, China ou Afeganistão é literalmente correr risco de morte. Cuba, Venezuela, Rússia e Turquia são países onde a repressão mais intolerável da liberdade de expressão não é novidade”, disse. “A ascensão da extrema direita na Europa está comprometendo a mesma liberdade fundamental. E governantes e poderes factuais de países puramente democráticos mostram seu apetite pelo controle da mídia. A censura, com formas novas ou antigas, está retornando”, advertiu. 

Manipulações que ludibriam a audiência

Para López-Madrazo, este é um dos produtos mais perigosos da revolução digital, porque a superabundância de informações fornecidas pela Internet facilitou muito a disseminação de informações manipuladas que se afirma serem autênticas. “O antigo acordo entre o leitor e a mídia (‘eu compro de você em troca de me dizer a verdade’) foi quebrado, mas o leitor não sabe”, afirmou. 

O presidente da WAN-IFRA disse que, além de ações de médio de longo prazos que incluem educação midiática, o jornalismo cada vez mais bem feito e aprofundado – com base na missão de dizer a verdade e ser honesto com o leitor – é o melhor caminho para enfrentar a desinformação e o uso dela para desestabilizar os princípios democráticos e desacreditar imprensa, rompendo com o pluralismo.

“Temos uma obrigação inevitável de explicar, com dados verdadeiros, quais são os autênticos efeitos, dimensões, causas e mecanismos dos grandes movimentos migratórios que vivem em grande parte do planeta e que, mais cedo ou mais tarde, nos levarão a um novo contrato social para que continuemos vivendo juntos”, disse. “Cabe a nós fazer com que a mensagem que oferecemos permaneça verdadeira, interessante, lucrativa, atraente e, é claro, necessária. Cabe a nós oferecer ao leitor a oportunidade de se informar, refletir e criar seus próprios critérios. Dessa forma, teremos prestado um serviço impagável a esse cativante sistema de coexistência, delicado e indispensável, que chamamos de democracia”, afirmou.