Publishers revisam relação com gigantes digitais e priorizam relação direta com o leitor, diz estudo do Tow Center

Publishers revisam relação com gigantes digitais e priorizam relação direta com o leitor, diz estudo do Tow Center

Os líderes de organizações de notícias reconhecem hoje, mais abertamente do que nunca, que foi um erro ter investido durante muito tempo na distribuição de conteúdo em parceria com as grandes empresas de mídia interativa, como Google e Facebook. Segundo a terceira pesquisa global feita pelo Tow Center a respeito das relações entre as companhias de notícias e plataformas on-line, o desafio dos publishers neste momento é conquistar receitas com assinaturas digitais e outras iniciativas antes que os poucos ganhos com publicidade se esgotem. Em paralelo, diz o estudo, as empresas jornalísticas terão de competir com gigantes tecnológicos cada vez mais envolvidos no processo de produção e circulação de notícias.

Ao contrário do que ocorreu nas duas edições anteriores do estudo, desta vez os publishers destacaram estarem voltados para a diversificação de produtos em diferentes meios quase que de forma exclusiva, a partir de suas próprias publicações e não mais em parcerias com as gigantes de tecnologia. A edição anterior da pesquisa havia registrado sinais de que os editores estavam procurando trazer o público de volta para suas próprias propriedades em vez da publicação “social-first”.

“Em 2019, a tendência ganhou força”, diz a nova rodada do estudo. “Muitos editores entrevistados revelaram abertamente terem se arrependido da concentração de conteúdo social, subestimando o público-alvo, e agora voltaram a servir seus leitores mais fiéis”. Os principais executivos das redações, destaca o relatório, afirmam agora que o “jogo de escala” – na prática, a ilusão com ganhos em publicidade para um público de bilhões de pessoas – está encerrado.

Os publishers, ainda segundo o estudo, continuarão a trabalhar com as empresas de tecnologia, até porque essas companhias “atuam cada vez mais como editores” e dão suporte a todo o ecossistema de publicação. “Esse duplo papel marca o início de uma nova fase no relacionamento entre plataforma e editores de notícias, e um novo passo na maneira como as empresas de tecnologia exercem seu poder”, diz Nushin Rashidian, um dos autores da pesquisa.

Atualmente as empresas de tecnologia não apenas criam e dão suporte às redações externamente, mas também as formam internamente. Com o lançamento do Facebook News no mês passado, todas as principais plataformas – incluindo Facebook, Google, Apple e Twitter – definem e selecionam notícias, ressalta Rashidian. Com exceção do Google Discover, que depende apenas de um algoritmo para promover notícias em seu feed, a curadoria é feita por seres humanos que geralmente são ex-jornalistas e editores, auxiliados por algoritmos.

Nesse novo cenário, segundo o relatório, o público-alvo dos editores de notícias determina cada vez mais o editorial. Em vez de investir nos conteúdos que têm melhor desempenho nas mídias interativas e medir o sucesso por tamanho de público, os publishers estão voltados para seu ofício original: atender seus principais públicos, leitores regulares que provavelmente se tornarão uma fonte de receita.

Na prática, isso significa maior dedicação das empresas de notícias aos produtos nos quais podem controlar a experiência, os dados e a receita do público. “Os publishers também estão aprendendo a entender e reter melhor os leitores que podem ser atraídos para seus sites. A mudança é de escala para lealdade”, afirma Rashidian.

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https://www.cjr.org/tow_center/platforms-publishers-and-the-end-of-scale.php?utm_medium=email&utm_campaign=Newsletters&utm_source=sendgrid

https://www.cjr.org/tow_center_reports/platforms-and-publishers-end-of-an-era.php