Jornal da Nicarágua deixa de circular por falta de papel e tinta em meio a maior repressão na Nicarágua Reprodução

Jornal da Nicarágua deixa de circular por falta de papel e tinta em meio a maior repressão na Nicarágua

O jornal nicaraguense El Nuevo Diario suspendeu na última sexta-feira (27) suas operações impressas por conta do embargo a insumos imposto pelo governo de Daniel Ortega. O anúncio vem acompanhado de novas denúncias em relação ao recrudescimento da repressão governamental à imprensa independente da Nicarágua.

Há mais de um ano o governo retém na alfândega materiais importados como papel, tinta e outros suprimentos para a impressão dos jornais El Nuevo Diario e La Prensa, os únicos de circulação nacional. Antes de deixar de circular, o El Nuevo havia reduzido o número de páginas e suspendido sua edição de fim de semana.

O jornal informou, em comunicado, que decidiu interromper sua publicação devido a “dificuldades econômicas, técnicas e logísticas” que tornam sua operação insustentável. "Estamos cientes da importância do Nuevo Diario como um meio essencial de comunicação na cobertura jornalística nos estágios relevantes da história recente da Nicarágua, desde sua fundação em 1980", disse o jornal também em seu último editorial. O "Metro", uma publicação associada ao Nuevo Diario de distribuição gratuita em Manágua, também parou de circular.

A presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), María Elvira Domínguez, disse que a suspensão das edições impressas do Nuevo Diário é resultado da política repressiva de Ortega que tem como objetivo castigar a imprensa. “É uma vergonha para a Nicarágua e para o mundo livre". A organização dos jornalistas PEN International na Nicarágua condenou o fechamento do jornal e acusou o governo de exercer "um boicote alfandegário, arbitrário e ilegal".

Na quinta-feira (26) os jornalistas Carlos Fernando Chamorro, Sergio León e Aníbal Toruño denunciaram, em sessão especial da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), a perseguição contra os jornalistas da Nicarágua e os horrores e perigos que a imprensa independente enfrenta diante do governo autoritário de Ortega.   

Chamorro, filho da ex-presidente Violeta Chamorro e proprietário do jornal online El Confidencial e diretor dos programas de televisão Esta Semana e Esta Noche, por exemplo, teve de se exilar na Costa Rica com sua família. As redações dos veículos foram invadidas em dezembro de 2018 por forças policiais do governo e até hoje estão ocupadas ilegalmente. O jornalista foi diretor do jornal da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN, em espanhol), “Barricada", até romper com a ala orteguista do partido junto com outros sandinistas históricos como o escritor e ex-vice-presidente Sérgio Ramirez.

León, diretor da Radio La Costeñísima, denunciou que a emissora que dirige está sob constante ameaça. Toruño é dono da Radio Darío, emissora incendiada em de 2018 por paramilitares a serviço do governo.

O estado de sítio declarado por Ortega completou um ano neste mês de setembro. Neste período, estão suspensos os direitos constitucionais, sem que Assembleia Nacional tenha decretado os embargos por meio de legislação emergencial.  

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https://confidencial.com.ni/el-nuevo-diario-suspende-su-publicacion/

https://www.sipiapa.org/notas/1213376-cese-publicacion-el-nuevo-diario-nicaragua-una-vergenza-el-mundo-libre