Jornalista que enfrentou linchamento virtual na eleição de 2018 recebe prêmio internacional de liberdade de imprensa Caíco de Queiroz/Reprodução

Jornalista que enfrentou linchamento virtual na eleição de 2018 recebe prêmio internacional de liberdade de imprensa

A jornalista Patrícia Campos Mello, repórter e colunista do jornal Folha de S.Paulo, será homenageada pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) com o Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa de 2019. Além da brasileira, serão agraciados com a premiação jornalistas da Índia, da Nicarágua e da Tanzânia. Os profissionais enfrentaram assédio online ou ameaças legais e físicas e prisão em busca de notícias.

A jornalista da Folha de S.Paulo sofreu ameaças de agressão e linchamento virtual após a publicação de matérias durante a campanha presidencial de 2018. As reportagens relataram como apoiadores do então candidato a presidente Jair Bolsonaro financiaram de forma massiva mensagens, muitas delas falsas, no WhatsApp, aplicativo do Facebook. 

Também serão homenageados Neha Dixit, jornalista investigativa independente na Índia que cobre direitos humanos, e Maxence Melo Mubyazi, cofundador e diretor-gerente do Jamii Forums, um site de discussão online e fonte de notícias de última hora na Tanzânia. Os outros dois agraciados são Lucía Pineda Ubau e Miguel Mora, respectivamente diretora de notícias e fundador e editor da emissora nicaraguense 100% Noticias. A dupla foi presa em dezembro de 2018 em relação à cobertura de distúrbios políticos. Eles foram libertados em 11 de junho, depois de seis meses atrás das grades.

O Prêmio Gwen Ifill de Liberdade de Imprensa do ano de 2019 do CPJ, que reconhece conquistas extraordinárias e sustentadas na causa da liberdade de imprensa, será oferecido a Zaffar Abbas, editor do jornal paquistanês Dawn. Abbas, que tem décadas de experiência como repórter no Paquistão, lidera o jornal desde 2010. Sob sua liderança, o veículo e seus repórteres frequentemente sofrem pressão do governo.

"Os vencedores do Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa de 2019 do CPJ representam o melhor do jornalismo, pessoas que colocaram suas vidas e sua liberdade em risco para nos trazer informações. Enquanto celebramos sua coragem, lamentamos que isso seja necessário", disse Joel Simon, diretor executivo do CPJ. "A triste realidade é que em todo o mundo o jornalismo independente é ameaçado por autoritários populistas que desprezam e menosprezam o trabalho da imprensa independente. Isso é verdade nos países representados por nossos homenageados e em muitos outros".

Todos os vencedores serão homenageados no jantar beneficente dos prêmios anuais do CPJ, em Nova York, no dia 21 de novembro de 2019.  

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