The New York Times eleva pela primeira vez os preços de suas assinaturas digitais  Reprodução

The New York Times eleva pela primeira vez os preços de suas assinaturas digitais 

Ao anunciar recorde na captação de assinantes digitais e crescimento de receitas em 2019, o jornal The New York Times informou esta semana que vai promover o primeiro aumento de preços de algumas de suas assinaturas on-line desde que lançou seu modelo de paywall, há nove anos.

O ajuste no valor dos pacotes de conteúdo noticioso digital é, segundo estudos, uma necessidade para garantir a sustentabilidade do modelo de negócios de assinaturas, cujo preço médio é hoje inferior às necessidades financeiras dos jornais, que têm mantido generosas ofertas na tentativa de estabelecer e manter uma carteira razoável de leitores pagantes.

O The New York Times informou ter obtido alta de 27,1% no número de assinaturas digitais ao longo de 2018, relatou o diário O Estado de S.Paulo. O veículo norte-americano acumulava, no fim de dezembro, 3,4 milhões de assinantes digitais. Segundo o jornal, esse bom desempenho garantiu uma receita de US$ 709 milhões em seus negócios digitais no ano passado.

A expectativa, informou a empresa em seus resultados financeiros para o período, é a de bater a marca de US$ 800 milhões em faturamento digital até 2020. Outra meta para o futuro é a de chegar a 10 milhões de assinantes até 2025 – hoje, o The New York Times tem ao todo 4,3 milhões de assinantes, incluindo sua versão impressa.

“2019 foi um ano recorde para o negócio de assinaturas digitais, o melhor desde que a empresa lançou assinaturas digitais há quase nove anos. Esse sucesso é uma prova do trabalho extraordinário dos jornalistas em todo o mundo e também da maneira radicalmente diferente de como estamos executando operações digitais na empresa, com equipes interdisciplinares que desfrutam de autonomia significativa e acesso ao aprendizado de máquina, engenharia e recursos de teste necessários para impulsionar nossos negócios”, disse Mark Thompson, presidente e diretor executivo da The New York Times Company, citado em release distribuído pelo jornal.

Na mesma nota, o executivo destaca o reajuste de preços nas assinaturas. “Nesta semana, começamos a lançar um aumento de preço para um subconjunto de nossa base de assinaturas de notícias digitais somente para proprietários, que é o primeiro aumento de preço desde o lançamento do modelo de pagamento em 2011”, disse.

Thompson ressaltou que ao longo dos últimos nove anos o jornal fez investimentos sem precedentes em jornalismo e nas ofertas de conteúdos digitais. “Acreditamos que nossos fiéis assinantes sabem que sua contribuição financeira desempenha um papel essencial na manutenção da qualidade, amplitude e profundidade do conteúdo que eles valorizam tanto”, afirmou.

Obstáculos

A realidade do The New York Times e de outros jornais, entre eles o também norte-americano The Washington Post e o britânico The Guardian (que tem obtido resultados positivos sem o uso de paywall, mas com um modelo de apoio e doações), está longe da maioria das publicações, lembra Em Kuntze, editora do site Content Insights. Pesquisas indicam, diz a jornalista, que mesmo em países onde a porcentagem de pessoas que pagam pelas notícias são mais altas, elas ainda tendem a se inscrever em apenas uma única publicação.

Há ainda, destaca Em, outros problemas. Ela ressalta que nos Estados Unidos, por exemplo, a maioria das assinaturas é feita por pessoas com um nível educacional mais alto: em média, esse grupo tem duas vezes mais chances de pagar do que as pessoas com menos escolaridade.

É a mesma história para aqueles com renda mais alta (três vezes mais propensos a gastar dinheiro) e aqueles com "muito interesse pelas notícias" (cinco vezes mais prováveis), diz a jornalista. “Não surpreende, portanto, que o The New York Times esteja indo tão bem. De fato, os assinantes do The Post e do New York Times respondem por mais da metade daqueles nos Estados Unidos que pagam por notícias”. 

Outro obstáculo ao crescimento mais acelerado das assinaturas digitais – em especial das publicações que produzem conteúdos globais – é a ainda limitada confiabilidade dos sistemas que interligam bancos e legislações fiscais ao redor do mundo. “Ao contrário da internet, as redes que conectam bancos ao redor do mundo não são definidas pelas mesmas regras. Sistemas, padrões e leis variam, às vezes muito. Fazer negócios em um país estrangeiro, em sua moeda, pode ser uma tarefa hercúlea em administração e risco”, assinala Carolyn Breeze, do site Gocardless.

Com o tempo, porém, a tendência é a de que esse problema seja superado, diz a jornalista. “Gradualmente, e então talvez rapidamente, o espírito de padrões e protocolos compartilhados, que fizeram da internet o que é e deu origem ao fenômeno do comércio eletrônico, fará o mesmo com os pagamentos e a economia de assinaturas”.

Leia mais em:

https://gocardless.com/blog/whats-the-best-payment-method-to-fuel-the-subscription-economy/

https://contentinsights.com/reality-check-subscriptions/

https://investors.nytco.com/investors/investor-news/investor-news-details/2020/The-New-York-Times-Company-Reports-2019-Fourth-Quarter-and-Full-Year-Results-and-Announces-Dividend-Increase/default.aspx

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,assinaturas-digitais-do-jornal-the-new-york-times-sobem-27,70002710841