Notícias em áudio ampliam carteira de assinantes digitais e melhoram índices de retenção Reprodução-NiemanLab

Notícias em áudio ampliam carteira de assinantes digitais e melhoram índices de retenção

Em 2016, quando a revista digital dinamarquesa Zetland preparava-se para lançar sua operação de notícias diárias, descobriu junto aos leitores e apoiadores que o que eles mais queriam da publicação era conteúdo em áudio, conta Gabe Bullard, no Nieman Reports. Foi um choque, pois todo o investimento estava voltado para a produção de textos. Após meses tentando convencer os leitores a aceitarem o projeto original, a revista cedeu e, em um primeiro momento, colocou seus repórteres a lerem histórias em um microfone. Com o tempo, a publicação aperfeiçoou a narrativa em áudio. Hoje, quando os 14 mil assinantes da revista abrem o aplicativo Zetland, eles recebem uma espécie de lista de reprodução para cada dia, começando com um podcast de conversação e passando para artigos narrados.

Os artigos de áudio da Zetland não têm som externo e nenhuma pontuação musical ou a estética da narrativa dos podcasts mais elaborados. Mesmo assim são úteis aos leitores, ocupadas demais para ler, mas querem saber o que há na Zetland naquele dia. Co-fundador da revista, Hakon Mosbech diz que os conteúdos em áudio não são um substituto para os podcasts ou para os textos. Em vez disso, eles se complementam e dão ao público o que eles querem.

Os áudios mais sofisticados, claro, ganham valor próprio. Mas a eficácia da narração é surpreendente, diz Bullard. Harvard Business Review (HBR), The Economist, The New Yorker e The Atlantic, destaca, estão entre as publicações que oferecem agora um número crescente de artigos narrados. Alguns fazem a narração e outros recorrem a parcerias com aplicativos de narração de notícias, que oferecem não apenas uma parte das taxas de assinatura coletadas pelos aplicativos, mas também exposição a um novo público.

Somente nos Estados Unidos, o número de pessoas que ouvem áudio de palavras faladas aumentou em um quinto nos últimos cinco anos; agora é um hábito diário para 121 milhões de pessoas (a escuta musical, enquanto isso, diminuiu 5%). Isso ainda está muito abaixo do número de pessoas que leem texto on-line todos os dias, mas os editores que oferecem artigos narrados descobrem que os ouvintes valorizam a profundidade com o jornalismo em áudio e, como fazem na Zetland, ouvem por mais tempo do que leem, afirma Bullard.

"O áudio surgiu silenciosamente... como o meio preferido para as pessoas consumirem conteúdo", diz Jim Bodor, diretor-gerente de estratégia de produtos digitais da HBR. “Se o áudio se tornar mais significativo, ainda que não seja a moeda dominante na internet, teremos que estar preparados para isso.” A HBR pensa nesse futuro em parceria com Noa (um acrônimo para News Over Audio), um aplicativo baseado em Dublin, na Irlanda, que oferece listas de reprodução selecionadas de artigos narrados de diversos editores.

Até as publicações que produzem áudio há anos fazem parceria com um ou mais aplicativos de narração, em parte para encontrar novos públicos. A revista The Economist, disponível no Noa e Curio, por exemplo, produz podcasts desde 2006 e oferece aos assinantes uma edição em áudio narrada de cada edição desde 2007. Como na Zetland, a edição em áudio da The Economist é uma maneira de manter sua base de assinaturas. "Somos uma publicação de conteúdo de valor premium e as pessoas se sentem culpadas por não lerem muitas histórias", diz o editor adjunto da The Economist, Tom Standage, que supervisiona a estratégia de áudio. “Nossas evidências sugerem que a edição em áudio é uma ferramenta de retenção muito eficaz; depois de confiar nisso, você não cancelará  a assinatura".

Leia mais em:

https://niemanreports.org/articles/audio-articles-are-helping-news-outlets-gain-loyal-audiences/