Especialista detalha seis estratégias para monetizar operações de mídia no meio digital

Especialista detalha seis estratégias para monetizar operações de mídia no meio digital

Além do investimento em jornalismo de qualidade e na produção de conteúdo de credibilidade, há algumas estratégias que precisam ser colocadas em prática pelos publishers para que possam monetizar nas plataformas digitais. Recentemente, em artigo publicado na rede global de mídia FLIPP, o diretor sênior de Consultoria em Inovação de Mídia, John Wilpers, detalhou seis passos que ele considera fundamentais para obter bons resultados no meio online: 1) realização de eventos de uma forma muito apropriada a veículos de comunicação; 2) conteúdos pagos; 3) gestão e serviços de dados; 4) ecommerce; 5) produtos segmentados; e 6) hotsites (temporários) de lojas de varejo.
 
No primeiro caso, conforme relato da revista Hora de Cierre, da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), Wilpers lembra que, apesar de serem muito rentáveis de forma geral, os índices de retorno dos eventos promovidos pelas empresas de comunicação são menores. Por isso, ele recomenda seguir à risca a receita de Nancy Lane, da Local Media Association, dos Estados Unidos. Segunda ela, os veículos devem tratar os eventos como uma unidade de negócios independente e dedicar a ela recursos tal qual uma startup. Nancy destaca a necessidade de criar equipes separadas, incorporar uma causa, desenvolver o B2B, converter promoções e conteúdo editorial em concursos com apresentações e prêmios, optar pelas temáticas que o veículo tem de mais forte entre seus leitores e contar com um software para administrar os eventos.
 
Em relação à prática de privilegiar o conteúdo pago, Wilpers lembra que cerca de um terço dos jornais norte-americanos já têm alguma forma de acesso a conteúdo por meio de taxa. Algo semelhante ocorre na Europa. Ele cita o britânico The Guardian, que cresceu de 15 mil para 100 mil assinaturas em 2016. O especialista ressalta que há diferentes possibilidades de ofertas de participação financeira dos leitores, com variações de valor e vantagens, como descontos, ofertas, concursos, eventos, mais conteúdos (incluindo segmentados), newsletters e outros benefícios.
 
Já os dados, enfatiza Wilpers, são uma mina de ouro, mas poucos sabem fazer bom uso desse recurso todo. As empresas de mídia, entretanto, que conseguem organizar e administrar os dados gerados por suas audiências têm mais oportunidades de ganhar dinheiro, pois prestarão melhores serviços e, também, poderão vender seu trabalho para fazer o mesmo com as bases de dados e estratégias de marketing de outras empresas.
 
O ecommerce, por sua vez, mesmo que não seja uma novidade, mostra-se cada vez mais lucrativo, novamente se bem utilizado. O The New York Times, por exemplo, adquiriu vários sites de comércio eletrônico e, ao mesmo tempo, passou a criar suas próprias páginas na web especializadas e culinárias, TV e cinema e saúde. Aqui, há até espaço para as mídias irem além, afirma Wilpers.
 
A Fairfax Media, da Austrália, abriu sua própria loja. Vende artesanato, vestuário, arte, decorações de casa e oferece um desconto de 20% para seus assinantes. O principal truque aqui é que o estabelecimento funciona como um hub de comércio, sem que a empresa de comunicação participe da logística típica do comerciante. “Basicamente, nós criamos uma plataforma para outras pessoas venderem seus produtos e ficamos com uma porcentagem”, diz Trudi Jenkins, encarregado da operação. Outros jornais criaram suas próprias startups para a venda de carros e imóveis, em modelo de negócio semelhante.
 
As publicações segmentadas (por nicho), afirma Wilpers, também são parte do futuro da mídia tradicional. Em vez de um site sobre tudo, aposta-se em páginas monotemáticos centradas em tópicos que atraem os anunciantes, tais como como saúde, tecnologia e gastronomia. As estratégias para cobrança de conteúdo variam: alguns oferecem a publicação gratuitamente por duas a três semanas e com descontos para assinantes do produto principal. É o que fez a  Time Inc. criou neste mês de maio, com “The Pretty”, dirigido à indústria dos cosméticos e artigos de beleza, com vídeos nas redes sociais. Antes, em março, havia lançado um sobre culinária, com patrocinador principal, a Kraft.
 
As lojas temporárias (ou pop-ups), por sua vez, são uma tendência nas publicações digitais porque captam a atenção dos consumidores e promovem as marcas e os produtos que o veículos anuncia. A revista norte-americana Living já anunciou que, ao longo de 2017, vai inaugurar várias dessas pop-ups, oferecendo diversos produtos, incluindo os de artistas e decoradores premiados. O Wonderland, site londrino sobre cultura pop, celebridades, filmes e música, abriu loja pequena que oferece roupa, acessórios, artigos de jogos, produtos de beleza, todos de marcas de anunciantes do veículo por vários anos.
 
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