The New York Times muda sistema de edição, reduz número de editores e quer contratar 100 repórteres

The New York Times muda sistema de edição, reduz número de editores e quer contratar 100 repórteres

O jornal The New York Times anunciou nesta quarta-feira (31) mais uma série de mudanças significativas dentro do seu processo de adaptação à era digital. Em memorando à redação, Dean Baquet, editor-executivo, e Joseph Kahn, editor-chefe, anunciaram que o diário norte-americano pretende simplificar o processo de produção editorial, ainda muito atrelado ao sistema que priorizava o impresso, tornando a redação cada vez mais “digitalmente focada”. As mudanças passam pela redução no número de editores, para os quais o jornal ofertou ações preferenciais, em uma espécie de Plano de Demissão Voluntária (PDV). Com isso, The New York Times espera fazer uma economia (de US$ 17milhões a US$ 23 milhões no segundo quadrimestre deste ano) suficiente para “acelerar” a contratação de 100 jornalistas.

Baquet e Kahn disseram que o atual modelo de “backfielders” e editores de texto será substituído pelo sistema de apenas um grupo de profissionais com outra característica que reunirá as duas tarefas. Outro nível de editores gerenciará os aspectos gerais das reportagens. Na prática, cada texto contará com a supervisão de dois editores. “Nosso objetivo é mudar de forma significativa o equilíbrio entre editores e repórteres no The Times, nos dando mais jornalistas, o que nos leva a desenvolver trabalho [conteúdo] original como nunca antes”, afirmaram os dois no memorando.

A oferta de ações preferenciais – que prioriza os editores, mas também foi feita a repórteres e outros profissionais – tem papel importante nessa etapa da estratégia do The New York Times. Baquet e Kahn admitiram, no texto dirigida à redação, que poderá haver demissões caso não haja voluntários suficientes para as aquisições. Em maio, o The New York Times relatou forte crescimento no meio online, incluindo um ganho de 19% em receitas de publicidade digital e novo recorde de assinaturas da sua versão na web. O diário tem hoje mais de  2,2 milhões de assinantes apenas digitais. Esses ganhos, entretanto, não são o suficiente para compensar o declínio contínuo na publicidade impressa, historicamente a principal fonte de receita do jornal.

Ao mesmo tempo, o The New York Times anunciou a extinção do cargo de editor público (semelhante a um ombudsman). Liz Spayd, atualmente na função, deixará o jornal nesta sexta-feira (2 de junho). “Os seguidores em mídias sociais e os nossos leitores em toda a Internet se uniram para servir coletivamente como um cão de guarda moderno, mais vigilante e forte do que nunca poderia ser uma pessoa. Nossa responsabilidade é capacitar todos aqueles cães de guarda e ouvi-los, ao invés de canalizar isso a uma única voz na redação”, diz outro memorando, assinado pelo publisher Arthur Sulzberger Jr..

Em contrapartida, o jornal criou o “Reader Center”, liderado pela editora Hanna Ingber. Um dos papeis dessa nova área será o de gerenciar e melhorar a interação do jornal com o público, respondendo “diretamente” comentários, perguntas, preocupações, reclamações e outras consultas.

Leia mais em:

https://www.nytimes.com/2017/05/31/business/media/new-york-times-buyouts.html?_r=0

http://www.huffpostbrasil.com/entry/new-york-times-public-editor_us_592ec472e4b0e95ac1956706

http://www.reuters.com/article/brief-new-york-times-provides-communicat-idUSFWN1IX0R7