As gigantes de tecnologia são “plataformas de infraestrutura” de escala sem precedentes, diz especialista em comunicação digital

As gigantes de tecnologia são “plataformas de infraestrutura” de escala sem precedentes, diz especialista em comunicação digital

As grandes empresas de tecnologia, como Google e Facebook, sustentam a ideia de neutralidade, fugindo da classificação de mídia tal como jornais, revistas, rádios e emissoras de televisão e, ainda, de legislações e regulamentação em diferentes países. Essas companhias são, entretanto, bem mais do que mídia, defende o jornalista e professor de comunicação Mike Ananny, mas com negócios dependentes de publicidade.

“Deveríamos vê-las como entidades inteiramente novas que se transformam constantemente”, escreve o especialistas em comunicação aplicada à tecnologia no Nieman Lab. “Às vezes, são como cidades, redações, correios, bibliotecas ou serviços públicos - mas sempre são como empresas de publicidade. Não se esqueça disso: eles ganham a grande maioria de sua receita através da publicidade. Eles são orientados principalmente pelas prioridades de publicidade”.

O gigantismo das companhias do Vale do Silício, segundo o jornalista, faz delas “plataformas de infraestrutura”, por meio das quais todos os dados hoje são capturados, processados, armazenados, circulados e vendidos. Ao mesmo tempo, essas empresas criam e aplicam regras sobre o conteúdo veiculado online, direcionam vastas forças de trabalho globais e detêm algoritmos que moderam os debates. “O escopo e a escala dessas plataformas são sem precedentes, movendo-se muito mais rapidamente do que governos e sociedade civil, muitas vezes superando a própria ideia de governança”, alerta Ananny.

O jornalista acredita que, por isso, a autorregulação é insuficiente, e até os pedidos de regulamentação das próprias plataformas precisam ser vistos com ceticismo. “Devemos liderar com princípios públicos fundamentados na legitimidade e responsabilidade democráticas, e não deixar que as plataformas definam por si mesmas os termos de sua própria regulamentação”, assinala. “E não vamos esquecer: as plataformas precisam de nós – nosso conteúdo, mão de obra, atenção e dinheiro. Eles estão aí para o nosso controle – se pudermos descobrir como fazê-lo”.

Leia aqui a íntegra do artigo de Mike Ananny no Nieman Lab.