China ameaça a liberdade de imprensa com "nova ordem mundial da comunicação”, alerta RSF Reprodução

China ameaça a liberdade de imprensa com "nova ordem mundial da comunicação”, alerta RSF

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) alertou nesta semana para a ameaça à liberdade de imprensa que acarreta a "nova ordem mundial da comunicação", criada pela China, acompanhando a crescente influência política e econômica do país.

O relatório da RSF, divulgado na segunda-feira (27), destaca que Pequim trabalha há dez anos para controlar a informação além-fronteiras. A China é um dos países do mundo com menos liberdade de imprensa e mantém mais de 60 jornalistas na prisão, segundo a RSF

Pequim, que há muito se queixa que a imprensa ocidental domina o discurso global e alimenta preconceitos contra a China, tem ainda investido bilhões de dólares para convencer o mundo de que o país é um sucesso político e cultural.

A RSF afirma que a China criou uma "máquina de propaganda" internacional, na qual tem investido "maciçamente", e que inclui a agência noticiosa oficial Xinhua e a televisão estatal CGTN, cada uma com mais de 10 mil funcionários.

A China, segundo a RSF, tem ainda transformado a narrativa sobre o país através da compra de participações em grupos de comunicação estrangeiros, conteúdo pago ou convites a dezenas de milhares de jornalistas de todo o mundo para visitarem o país, com todas as despesas pagas, para alterar as suas percepções sobre a região, destaca a RSF.

A Xinhua ou a televisão estatal CGTN contam já com centenas de delegações além-fronteiras e têm agressivamente procurado parcerias no exterior, visando publicar conteúdo aprovado pela Propaganda do PCC, sob o selo de órgãos de comunicação independentes. Também a Rádio Internacional da China (CRI, na sigla em inglês, ou os jornais oficiais Diário do Povo e China Daily têm promovido visitas à China, que, nos últimos anos, trouxeram ao país asiático milhares de jornalistas estrangeiros.

Desde 2017, o China Daily gastou quase US$ 16 milhões para publicar suplementos em jornais norte-americanos, segundo dados reportados ao abrigo da Lei de Registro de Agentes Estrangeiros, que exige que entidades que representam os interesses de outros países divulguem as suas finanças. Os jornais norte-americanos The New York Times e The Wall Street Journal são algumas das organizações de notícias que publicam suplementos do China Daily, mas cujas versões eletrônicas estão bloqueadas no país asiático.

A RSF afirma que Pequim não se contenta em controlar as suas redes sociais e motores de busca, como o WeChat ou o Baidu, como tem encorajado outros países a copiar os seus regulamentos. Em 2009, a China criou o World Media Summit, que é financiado e organizado inteiramente pela Xinhua, e que se realiza em "países conhecidos pelo seu autoritarismo", nomeadamente Rússia ou Catar.

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https://rsf.org/fr/rapports/rapport-rsf-le-nouvel-ordre-mondial-des-medias-selon-la-chine