Financial Times chega a 1 milhão de assinantes, avança no digital e expande seus negócios Reprodução

Financial Times chega a 1 milhão de assinantes, avança no digital e expande seus negócios

O jornal britânico Financial Times chegou ao marco de um milhão de assinantes, dos quais 650 mil (mais de três quartos da circulação) pagam apenas pela versão digital. A edição impressa, com suas icônicas páginas de cor salmão, garante o diário, se mantém lucrativa, e a receitas sobem desde que a publicação de negócios e finanças foi adquirida pela japonesa Nikkei da Pearson, em 2015.

A boa fase resulta em expansão. No começo do mês, o Financial Times comprou participação majoritária e assumiu o controle da The Next Web (TNW), empresa de comunicação e eventos especializada em novas tecnologias e em startups na Europa. Na semana passada, por meio de iniciativa direta da Nikkei, o Financial Times deu início à negociação para adquirir o Deal Street Asia, de Cingapura. O veículo mistura notícias de startups da Ásia com atualizações do mercado financeiro e demais segmentos de negócios asiáticos.

A curva ascendente de assinantes digitais do Financial Times também é significativa em relação ao pioneirismo do jornal. O diário foi um dos primeiros a introduzir um paywall, em 2002, cobrando dos leitores online por notícias que eles esperavam que fossem gratuitas na internet, em uma tendência que desafiava o modelo de negócios da mídia impressa.

O movimento do The New York Times, que não tem a mesma característica segmentada do jornal britânico, dá uma ideia da posição de vanguarda na qual estava o Financial Times no começo dos anos 2000. O jornal nova-iorquinoimplementou o paywall apenas em 2011 e, em novembro passado, anunciou que tinha mais de 3 milhões de assinantes digitais e mais de 4 milhões de assinantes no total, incluindo a edição impressa.

Desde que implantou o paywall, o Financial Times investe em tecnologia para melhorar seu desempenho junto aos leitores.  Atualmente, aplica ciência de dados para conectar os pontos de certas métricas, como a produção do conteúdo, a frequência de visitas e o tempo de leitura, e o comportamento do leitor. A métrica Quality Reads, por exemplo, mostra a porcentagem de visualizações de páginas em que o leitor leu pelo menos metade do artigo, estimado pelo tempo na página, profundidade de rolagem e o que ele sabe sobre como os assinantes interagem com conteúdo semelhante. Relatórios analíticos semanais são repassados para a redação.

O Financial Times usa ainda diferentes tipos de formatos e narrativas para atrair novos públicos, como visualizações de dados, jogos interativos e abordagens multimídia que incorporam a arte em seu jornalismo. Isso se estende a eventos ao vivo, o que justifica a compra da TNW.

O lucro operacional do Financial Times foi de 25 milhões de libras em 2018 e a receita operacional ficou em 383 milhões de libras. “Provamos que o jornalismo de qualidade pode ser um negócio de crescimento e qualidade. Mostramos também o valor duradouro de matérias e análises independentes e confiáveis”, disse o presidente-executivo do Financial Times, John Ridding, em comunicado. 

Leia mais em:

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/04/jornal-britanico-financial-times-atinge-marca-de-1-milhao-de-assinantes.shtml  

https://cincodias.elpais.com/cincodias/2019/03/29/economia/1553880584_933083.html

https://digiday.com/media/long-term-planning-ft-now-1-million-paying-readers/

https://techcrunch.com/2019/03/28/financial-times-deal-street-asia/ 

https://www.europapress.es/economia/noticia-financial-times-adquiere-participacion-mayoritaria-the-next-web-20190305172806.html

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,jornal-financial-times-alcanca-um-milhao-de-leitores-pagantes,70002776512