Conferência legislativa destaca papel do jornalismo profissional na democracia e no combate à desinformação CRÉDITO: AUGUSTO COELHO/PALAVRA ABERTA

Conferência legislativa destaca papel do jornalismo profissional na democracia e no combate à desinformação

Representantes de diferentes setores da mídia brasileira defenderam nesta terça-feira (21), em Brasília, o exercício das liberdades de imprensa, de expressão e de publicidade dentro das regras estabelecidas pela Constituição do país e, também, como princípios fundamentais da democracia. Jornalistas, políticos e presidentes de associações representativas de jornais, de revistas e de emissoras de rádio e televisão sustentaram, durante a 13ª Conferência Legislativa sobre Liberdade de Expressão, o papel decisivo do jornalismo profissional, ao lado da responsabilidade na produção e distribuição de notícias, no combate à desinformação e na manutenção do processo democrático.

O presidente da ANJ, Marcelo Rech, afirmou que o Brasil tem legislação e estrutura institucional que já garantem a combinação entre liberdade de expressão e responsabilidade. “Bastaria cumprir a Constituição, na qual se diz que é livre a manifestação de pensamento, sendo vedado o anonimato”, disse o jornalista durante o encontro. A edição deste ano da conferência, realizada na manhã de hoje pelo Instituto Palavra Aberta, na Câmara dos Deputados, também integrou as comemorações dos 40 anos da Associação Nacional de Jornais (ANJ), comemorados em 2019. 

Rech destacou que, ao contrário da desinformação propagada nas redes sociais, o jornalismo profissional implica técnicas especializadas, ética e compromisso com a verdade e o direito à informação do público, todas características da atuação dos profissionais do setor e dos jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão independentes. “O jornalismo profissional é como o trabalho dos médicos: sempre haverá os charlatães. Como os médicos, estamos no ramo do acerto, não do erro”, afirmou o presidente da ANJ, para quem a liberdade de imprensa passa também pelo livre direito de anunciar.  Rech advertiu ainda para uma “progressiva sofisticação dos métodos de tolher a liberdade de expressão” e dos riscos de linchamentos contra as vozes plurais, como tem ocorrido nas mídias interativas.

Paulo Tonet Camargo, presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), reforçou o que disse Rech e chamou a atenção para o fato de os veículos de imprensa proporcionarem garantias à sociedade indisponíveis nos sites das redes sociais. Há, segundo ele, assimetria regulatória entre “empresas que se dizem de tecnologia e vendem informações” e a imprensa. “Somos responsáveis pelo conteúdo que distribuímos e nada mais justo que nosso concorrente também o seja”, disse. Tonet ressaltou que, quando um veículo profissional erra, quem se sente lesado pode exigir judicialmente a reparação. “Quem quiser reparação sabe quem somos e onde nos encontrar”, comentou.

Em uma época de intensa ameaça à democracia em todo o mundo, participantes da conferência disseram que o jornalismo profissional praticado pela imprensa resulta em credibilidade que funciona como uma barreira à desinformação. A pluralidade dos meios e a livre escolha por quem os acessa são fundamento essencial à liberdade de pensamento e formação das convicções. "Por esta razão, nunca o jornalismo profissional foi tão relevante e indispensável. Em tempos de mídias digitais e muitas vezes desinformação", disse Tonet, segundo o site da ABERT. “Nosso conteúdo tem cada vez mais a confiança da população. Jornalismo profissional tem responsabilidade. Somos a opinião e informação editadas e certificadas. Jornalismo livre e de qualidade é o antídoto contra as notícias falsas e mentirosas".

"Nosso modelo de negócio exige precisão, base da confiança da audiência e das marcas anunciantes em relação ao jornalismo. É de nossa responsabilidade assumir os erros e corrigi-los o mais rápido possível", afirmou o presidente da Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER), Fabio Gallo, ao frisar as peculiaridades que somente o jornalismo profissional oferece no relato dos fatos. Ele lembrou o quão mais relevante é atualmente, diante da desinformação online, a checagem dos fatos, que separa a verdade da mentira. Dessa forma, os conteúdos jornalísticos oferecem a informação necessária para que as pessoas possam formar suas opiniões e estabelecer suas agendas. Nossa responsabilidade – é importante destacar – também é regrada por código de ética e legislações”, assinalou.

A presidente do Instituto Palavra Aberta, Patricia Blanco, disse que as liberdades de imprensa e de expressão são direitos fundamentais, observados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e, posteriormente, pela Constituição brasileira, de 1988. “Esse debate nunca foi tão importante e para a manutenção de uma conquista que é da população brasileira”, ressaltou.

O deputado Orlando Silva (PC do B-SP) também defendeu a liberdade de imprensa com responsabilidade. “Liberdade de imprensa é indicador de democracia. Pressupõe pluralismo e análise multilateral para que sociedade forme juízo crítico”, afirmou. Marcel Van Hattem (Novo-RS) fez o mesmo. “A regra tem de ser a liberdade”.

Fernando Rodrigues, diretor do site noticioso Poder360 e conselheiro da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), afirmou que a credibilidade é a chave para a sustentação no longo prazo das empresas que têm como foco o rigor da informação. “As empresas que praticam o bom jornalismo certamente terão espaço. Haverá cidadãos interessados em consumir um produto que possa indicar seriedade e credibilidade. Muitas vezes nas plataformas das empresas de tecnologia não se sabe como aferir a qualidade”, disse Rodrigues, segundo o site Poder360. Para tanto, afirmou, um dos passos para essa credibilidade é a observação de código de comportamento por parte dos jornalistas nas mídias sociais.

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