Fotojornalista deixa a Colômbia após assédio online em que é confundido com profissional do NYT Reprodução/CPJ

Fotojornalista deixa a Colômbia após assédio online em que é confundido com profissional do NYT

A capacidade nociva do assédio online sem controle de agentes ocupantes de cargos públicos da Colômbia contra jornalistas revela o alto grau de ameaça que essa frente de ódio representa à liberdade de imprensa e à democracia. Os ataques digitais a Nicholas Casey, chefe do escritório dos Andes do jornal The New York Times e integrante da Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP) da Colômbia, por exemplo, colocaram em perigo o fotojornalista Federico Ríos. Parlamentares colombianos identificaram de forma errônea a foto do profissional e a compartilharam nas mídias interativas junto com acusações falsas.

Ríos, colaborador de várias organizações noticiosas, entre eles o The New York Times, contou ao Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) que o assédio, ampliado por milhares de interações nas mídias interativas, o obrigou a deixar a Colômbia no último domingo (19). A fotografia do fotojornalista foi difundida pela primeira vez no Twitter, ao lado de falsas informações, pela senadora María Fernanda Cabal, do partido Centro Democrático, legenda do presidente Iván Duque, no sábado (18) passado. Mais tarde, a parlamentar compartilhou as falsidades novamente, mas com a foto de Casey.

O chefe do escritório dos Andes do jornal The New York Times também deixou a Colômbia, após assédio online, uma reação governista à reportagem do jornalista segundo a qual as ordens de maior letalidade do Exército colombiano colocaram em risco os civis do país. Nas postagens compartilhadas nas redes sociais por pelo menos três legisladores, Casey e Ríos são acusados de ligação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e de serem pagos para produzir conteúdo "contra o Exército colombiano".

"A irresponsabilidade na conduta de vários congressistas colombianos, que fizeram acusações falsas e incendiárias, tem efeitos reais na vida diária dos jornalistas, em especial nas dos profissionais locais como Federico Ríos", disse Carlos Martínez de la Serna, diretor de programa do CPJ. A entidade instou as autoridades da Colômbia a garantir a segurança do fotojornalista.   

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) rechaçou nesta semana o número cada vez mais frequente de campanhas de estigmatização contra jornalistas nas redes sociais. Esse tipo de ataque, segundo a entidade, é cria um ambiente hostil para a imprensa, instigando violência contra jornalistas e empresas noticiosas.

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