ANJ e Abraji pedem rápido esclarecimento sobre assassinato de dono de jornal em Maricá, no Rio de Janeiro Reprodução

ANJ e Abraji pedem rápido esclarecimento sobre assassinato de dono de jornal em Maricá, no Rio de Janeiro

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) condenaram e instaram as autoridades a investigar, solucionar e punir os responsáveis pelo assassinato do empresário Robson Giorno, dono do Jornal O Maricá, do Rio de Janeiro.

Giorno foi morto na noite do último sábado (25), na porta de sua casa, na Avenida Prefeito Ivan Mundin, que corta os bairros Eldorado e Araçatiba, no município de Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O empresário era pré-candidato à prefeitura da cidade para as eleições de 2020 pelo partido Avante.

“A morte de Robson Giorno precisa ser esclarecida o quanto antes. A ANJ está estarrecida pelo assassinato do jornalista e proprietário de O Maricá. O Brasil, infelizmente, segue como um dos países com maior número de mortes de jornalistas e radialistas. Uma das razões para esse triste título é a frequente impunidade dos criminosos que atentam contra a liberdade e o direito da população de ter acesso à informação”, disse o presidente da ANJ, Marcelo Rech.

Em comunicado, a diretoria da Abraji disse que “já mobilizou a equipe do Programa Tim Lopes [que atua para combater a impunidade em crimes envolvendo comunicadores] para colher informações”, podendo ampliar a investigação para que o caso seja devidamente apurado, se houver indícios de relação entre a morte e a atividade jornalística da vítima.

No sábado, militares foram acionados para o local do crime após serem alertados sobre um homicídio a tiros. Informações de portais de notícias de Maricá, ainda não confirmadas pela polícia, afirmam que Giorno chegava em casa a pé quando um carro de cor prata passou na frente do imóvel, e os ocupantes atiraram contra ele. A delegacia busca testemunhas e tenta identificar o autor por meio de câmeras de segurança.

Giorno denunciava, no jornal O Maricá, possíveis irregularidades na administração do atual prefeito, Fabiano Horta (PT), relatou O Globo. Em 2015, o empresário registrou queixa na 82ª DP (Maricá) acusando o ex-prefeito Washington Quaquá (PT) de ameaçá-lo com mensagens de texto. Também acusou o então subsecretário de Segurança, William Siqueira, de agressão. Os dois brigaram numa praça, em fevereiro daquele ano. Na época, Quaquá classificou como “mentirosa” a denúncia e prometeu entrar na Justiça contra Giorno, então presidente do PSL em Maricá, de acordo com O Globo.

A prefeitura de Maricá emitiu uma nota lamentando a morte e dizendo que espera que as investigações conduzam rapidamente à identificação e punição dos responsáveis: “Assim como reiteramos nosso compromisso com a liberdade de imprensa e de expressão, repudiamos também qualquer ato de violência”.