The Washington Post lança manual digital para identificação de vídeos falsos Reprodução

The Washington Post lança manual digital para identificação de vídeos falsos

A proliferação de vídeos falsos criados com o auxílio de inteligência artificial e tecnologia de fácil acesso nas redes sociais levou o jornal The Washington Post a criar um guia de referência para que os jornalistas possam identificar com mais agilidade a fraude que paira como ameaça à campanha eleitoral norte-americana de 2020.

Publicado em versão digital e interativa, o “The Fact Checker’s Guide to Manipulated Video" orienta como identificar e rotular diferentes formas de manipulação de vídeo online. O manual está dividido em três categorias: Missing Context, que indica se um vídeo apresenta ou não erros de digitação no contexto em que os eventos ocorreram; Deceptive Editing, sobre conteúdo editado ou reorganizado; e Malicious Transformation, que descreve quando parte ou todo o vídeo foi manipulado.

"Com base no contexto e na análise que fornecemos em nossas verificações de fatos escritas e em vídeo, queremos que esse sistema de rotulagem de vídeos se torne o padrão para os jornalistas ajudarem as pessoas a serem mais informadas enquanto navegam no cenário da informação", disse Glenn Kessler, editor e redator-chefe da editoria de verificação de fatos do jornal norte-americano.

“Quando começamos a experimentar novos métodos de checagem de vídeo online, descobrimos que não havia uma linguagem comum para capturar como os vídeos online estão sendo manipulados ou, em alguns casos, fabricados”, afirmou Nadine Ajaka, produtora sênior de vídeo do The Washington Post. “Com isso em mente, decidimos responsabilizar os criadores de vídeos e parceiros. Essa terminologia compartilhada destina-se a iniciar uma conversa e pode ser expandida à medida que nós e outras organizações de notícias identificamos outros casos”.

Deep fake é o nome usado para designar vídeos falsos criados com o auxílio de inteligência artificial, informa o jornal Folha de S.Paulo. A expressão vem da junção da palavra em inglês “fake” (falso) com o termo “deep learning” (aprendizado profundo), um ramo da inteligência artificial em que sistemas aprendem a analisar dados e executar tarefas, segundo o jornal paulista. 

“Vídeos de deep fakes podem ser usados para espalhar falsos rumores sobre candidatos. E até mesmo podem colocar em dúvida eventos verdadeiros, com a desculpa que tudo pode ser falso”, disse o pesquisador Aviv Ovadya, que investiga como a informação circula no mundo, à Folha de S.Paulo.

O debate sobre a interferência dos vídeos falsos na política norte-americana cresceu após a divulgação nas redes sociais de um vídeo que foi alterado para que a presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, a democrata Nancy Pelosi, aparentasse estar embriagada. A discussão esquentou ainda mais após o Facebook se recusar a retirar o vídeo de sua plataforma. 

Leia mais em:

https://www.washingtonpost.com/pr/2019/06/25/washington-post-launches-fact-checkers-guide-manipulated-video/?noredirect=on&utm_term=.4b7918a794c9

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/06/producao-de-videos-falsos-com-uso-de-inteligencia-artificial-liga-alerta-nos-eua.shtml?loggedpaywall