Legisladores dos EUA investigam “padrões escuros” dos algoritmos de Google e Facebook Reprodução

Legisladores dos EUA investigam “padrões escuros” dos algoritmos de Google e Facebook

O escrutínio das empresas de tecnologia como Google e Facebook começa a ingressar, nos Estados Unidos, em uma área considerada por analistas o coração do modelo de negócios das gigantes do Vale do Silício: seus poderosos algoritmos.

O Comitê de Comércio do Senado norte-americano, por exemplo, investiga como a "tomada de decisão algorítmica e o aprendizado de máquina em plataformas de internet influencia o público". Os legisladores dos Estados Unidos estão concentrados, segundo o site Axios, em detalhar como os "padrões escuros" e os algoritmos opacos afetam a experiência das pessoas que usam as plataformas das empresas de mídia interativa, colocando em evidência práticas que muitos consideram enganosas.

"O consentimento do usuário continua enfraquecido pela presença de padrões escuros e design antiético", disse o senador republicano Deb Fischer. "Reduzir o uso de padrões escuros será fundamental para aumentar a confiança online", afirmou o parlamentar que, ao lado do democrata Mark Warner, é autor de um projeto de lei cujo texto força as empresas de tecnologia a revelarem exatamente o valor em dinheiro que elas ganham com os dados dos seus usuários, além de detalharem quais informações pessoais elas coletam dos usuários, relatou o jornal O Estado de S.Paulo 

“Durante anos, redes sociais disseram aos consumidores que seus produtos são gratuitos aos usuários. Mas isso não é verdade – você está pagando com dados em vez da sua carteira”, disse Warner em comunicado à imprensa. “Mas a falta de transparência e divulgação nesse mercado fazem com que seja impossível o usuário saber o que ele está oferecendo, com quem esse dado está sendo compartilhado, e o que a informação vale para a plataforma”. 

O republicano John Thune, por sua vez, informou estar preparando uma legislação que daria aos usuários a opção de usar grandes plataformas de internet sem algoritmos que direcionem o conteúdo que eles veem, relatou a Bloomberg. "Os mecanismos poderosos por trás dessas plataformas para aumentar o envolvimento também têm a capacidade, ou pelo menos o potencial, de influenciar os pensamentos e comportamentos de literalmente bilhões de pessoas", disse Thune nesta terça-feira (25) em uma audiência no Senado.

O senador citou uma investigação de abril da Bloomberg sobre o YouTube, do Google, e seu fracasso em lidar com conteúdo falso, incendiário e tóxico enquanto buscava aumentar as visualizações e o tempo gasto em sua plataforma. “A reportagem demonstrou que o uso de inteligência artificial e algoritmos para otimizar o engajamento pode ter uma desvantagem não intencional e possivelmente até perigosa", disse Thune.

Leia mais em:

https://www.axios.com/how-big-tech-collects-user-data-scrutiny-8e7e9816-e0ea-40f6-9eeb-9d707a7de50a.html

https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-06-25/thune-wants-google-and-facebook-to-have-algorithm-free-options

https://link.estadao.com.br/noticias/empresas,senadores-dos-eua-querem-saber-quanto-empresas-ganham-com-dados,70002885463