Paquistaneses protestam contra a decisão da Índia de revogar o status especial da região da Caxemira Paquistaneses protestam contra a decisão da Índia de revogar o status especial da região da Caxemira / Reuters / Reprodução

Mesmo sem internet gratuita e livre, a desinformação toma conta das redes sociais na Caxemira e em Hong Kong

A velocidade com que a desinformação tem se propagado na Caxemira e em Hong Kong nos últimos dias revela que a falsidade enraizada nas mídias interativas mantém sua nociva vitalidade mesmo onde não há internet gratuita e livre de censura. As circunstâncias nos dois casos são diferentes, segundo os jornalistas Daniel Funke, Susan Benkelman e Cristina Tardáguila, em texto no site Poynter. Os impactos negativos, porém, são semelhantes.

A Caxemira está sob tensão há mais de dez dias desde que o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, revogou a autonomia da região no dia 5 de agosto e bloqueou as telecomunicações, alimentando a desinformação sobre o que acontece na região. Verificadores de fatos da Agência France-Presse (AFP), no sudeste da Ásia, desmascararam várias afirmações falsas e enganosas sobre o bloqueio.

Muitas das informações falsas que a AFP checou nas mídias sociais eram acompanhadas de fotos ou imagens fora de contexto, que pretendiam mostrar conflitos armados entre as forças armadas indiana e paquistanesa, afirmam os jornalistas do Poynter. Alguns boatos, desacreditados pelo Boom Live, outro site indiano de checagem de fatos, chegaram até mesmo aos principais meios de comunicação.

“Como verificador de fatos, eu não sei em que comunicação as pessoas na Caxemira estão sujeitas. Não sabemos quais são os rumores locais. E se os moradores quiserem verificar as informações, não há como fazer isso”, disse Pratik Sinha, co-fundador do site de notícias indianas Alt News, em Dawn, um jornal em inglês no país.

Em Hong Kong, marcada pelos protestos pró-democracia, o governo da China foi acusado de espalhar desinformação e propaganda sobre as manifestações. O jornal The New York Times informou que o Partido Comunista e os meios de comunicação controlados pelo governo alegaram falsamente que os manifestantes foram pagos e manipularam fotos e vídeos para fazê-los parecer violentos.

"Em Hong Kong, praticamente não há como evitar a desinformação", informou a CNN. “No metrô, notícias falsas são anonimamente transferidas para os telefones dos passageiros. Boatos e especulações postados por indivíduos e blogs locais estão espalhados pelo Facebook, Twitter e Instagram, e compartilhados em aplicativos de mensagens como WhatsApp e Telegram”, continuou a emissora. O governo chinês tem censurando rapidamente o discurso pró-democracia nas plataformas de mídia social e inunda as redes com propaganda e desinformação.

“[As duas situações] mostram que as falsidades não se propagam exclusivamente em uma internet gratuita e aberta. Elas também se espalham amplamente em regimes altamente censurados, bem como em regiões onde não há acesso à Internet. E os verificadores de fatos têm seus trabalhos bloqueados”, afirmam os jornalistas do Poynter, especializados em fact-checking.

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https://www.poynter.org/fact-checking/2019/misinformation-doesnt-need-a-free-and-open-internet-to-spread-just-look-at-kashmir-and-hong-kong/