Modelo de negócio do Facebook é perigoso e deve ser taxado com imposto progressivo e sobre receita, diz Nobel de Economia Reprodução/BBC

Modelo de negócio do Facebook é perigoso e deve ser taxado com imposto progressivo e sobre receita, diz Nobel de Economia

O modelo de negócios de redes sociais como o Facebook, no qual as empresas fazem uso dos dados dos usuários sem que eles saibam disso para sustentar publicidade dirigida, é perigoso e deve ser taxado com imposto progressivo, diz Paul Romer, estudioso do impacto do conhecimento sobre o crescimento e um dos ganhadores do Nobel de Economia de 2018. Em entrevista ao jornal O Globo, Romer afirma que, em contrapartida, o sistema com base na monetização por assinaturas, como o perseguido pelos principais jornais do mundo, está associado às melhores práticas das economias livres.

“Modelos de negócios nos quais as empresas oferecem coisas de graça, mas tiram vantagens dos clientes de uma maneira que eles não compreendem, são muito ruins”, diz Romer em entrevista aos jornalistas Luciana Rodrigues e Rennan Setti. “É preciso abandonar esse modelo de publicidade direcionada, que manipula as pessoas e espiona os hábitos dos consumidores”.

Um modelo de negócios melhor é o de assinaturas, afirma o estudioso. “Se alguém gosta de um streaming de música, vai querer pagar uma assinatura mensal. Se alguém gosta de um jornal, paga uma assinatura. Mas o modelo baseado em publicidade direcionada e que manipula é muito perigoso”.

A defender taxação da receita de publicidade direcionada com um imposto progressivo, Romer sustenta que isso poderia organizar o mercado de uma forma mais adequada. “Quanto maior a receita com publicidade direcionada, maior a alíquota. Isso pode criar incentivos para que as grandes empresas se dividam em unidades menores”, diz.

Romer destaca ainda que as empresas digitais fazem uso de suas atuações globais para defender a ideia segundo a qual esse tipo de taxação tem de ser resultado de um acordo entre as nações onde atuam, cientes da dificuldade de concretizar esse tipo de pacto. 

“Não é possível ter um acordo global sobre nada”, afirma, lembrando ainda ser verdadeiro que o fato de que não se pode taxar o lucro, uma vez que não se sabe onde ele está localizado. “Por isso, eu defendo um imposto sobre as receitas. Se os Estados Unidos quiserem cobrar impostos sobre a receita que essas empresas obtêm por exibir publicidade direcionada para os americanos, e os governos estaduais não quiserem fazer isso, tudo bem, não haverá uma guerra fiscal. A chave aqui é fazer um imposto progressivo e que incida sobre a receita, não sobre o lucro”, diz. “Imposto sobre lucro é um modelo falido, por causa da dificuldade de se estabelecer o local de incidência”.

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