Transformação digital chega à produção e à distribuição de conteúdos do jornal O Estado de S.Paulo  Reprodução

Transformação digital chega à produção e à distribuição de conteúdos do jornal O Estado de S.Paulo 

A redação do jornal O Estado de S.Paulo começou a operar esta semana dentro de um modelo de multiplataforma no qual equipes de jornalistas e outros profissionais especializados trabalham desde as primeiras horas da manhã voltadas ao cotidiano do leitor, cada vez mais digital, mas também para garantir um edição qualificada, com mais profundidade e análise, no dia seguinte, tanto no impresso como no online. Com a transformação, elaborada no Grupo Estado desde 2017, todo o processo de produção e de distribuição de conteúdo agora leva em consideração diversos canais de consumo de informações dos usuários, como smartphones, site (estadão.com.br), podcasts, newsletters e redes sociais, buscando o diálogo com a audiência durante todo o dia.

A inovação, segundo o jornal O Estado de S.Paulo, ocorre após um ciclo de três anos de planejamento e preparação da empresa, batizado de projeto Estadão 21. “A gente iniciou esse processo de transformação em 2017, criando a área de estratégias digitais, fazendo investimentos de mais de R$ 60 milhões em tecnologia, ferramentas, pessoas e novos produtos digitais”, explica o diretor-presidente do Grupo Estado, Francisco Mesquita Neto. “Passamos pela área de assinaturas, pela área de mercado publicitário e, agora, é a vez de a transformação chegar às nossas redações.”

Os jornalistas Leonardo Cruz, editor de Inovação do diário paulista, e João Gabriel de Lima, editor executivo de Conteúdos Digitais, estão na liderança do dia a dia da mudança pela qual passa o Estado de S.Paulo. Em entrevista ao site Farol Jornalismo, os dois contaram atualmente o núcleo de Business Inteligence (BI) ocupa um andar inteiro na sede do jornal, no Bairro do Limão, na região norte da capital paulista.  Ali, profissionais de marketing, de análise da audiência e de desenvolvimento de produto atuam de forma constante ao lado de equipes de tecnologia da informação, o que muda de forma drástica boa parte do processo editorial.

Antes, segundo Cruz e Gabriel de Lima, os projetos e produtos editoriais das redações eram feitos de maneira muito intuitiva. “Colocava-se uma ideia no mercado sem uma análise prévia do público potencial, sem critérios mais rígidos de análise de resultado, era tudo muito no feeling. Não apenas no jornal, mas no segmento. Isso tem mudado ao longo dos últimos anos, e a gente está tentando mudar no Estadão também”, disse Cruz ao Farol Jornalismo.

O conceito dessa nova rotina parte do princípio de o jornalismo evoluiu e está cada vez mais dirigido ao leitor, afirmou Gabriel Lima, “porque nunca o leitor interagiu tanto” com o produtor de conteúdo. “Nunca esse leitor esteve tanto no centro do projeto, nunca foi tão fácil conhecer a jornada do leitor através de métricas e nunca foi tão fácil criar tecnologias para chegar nesse leitor”.

Os hábitos digitais, disse Gabriel de Lima, também mudaram de forma radical os parâmetros e a filosofia publicitária. Hoje, a publicidade é menos uma venda de espaço de anúncio e mais uma associação de marca. “O Núcleo de Inovação olha o máximo possível para esse leitor, mas não com o olhar de um profissional de marketing. O profissional de jornalismo, que se guia pela ética, precisa oferecer conteúdo relevante. A partir do momento em que se define isso eu posso apresentar esse conteúdo para o leitor no horário que ele precisa, na plataforma que é mais adequada e mais fácil para a sua jornada”, comentou o jornalista ao Farol Jornalismo.

Na prática, são três as prioridades do novo modelo do Jornal O Estado de S.Paulo assinalou Gabriel de Lima. “A primeira coisa é o leitor. A segunda coisa é a interatividade. Cada vez mais eu vou interagir e dialogar com esse leitor obsessivamente. Em terceiro lugar, e não menos importante, eu tenho que ser extremamente inovador ao usar todas as ferramentas tecnológicas possíveis para estar mais próximo desse leitor, interagindo, dialogando e trazendo-o cada vez mais para dentro do meu conteúdo”.

Atualmente, o Estadão é o jornal impresso de São Paulo com a maior circulação nacional, segundo dados do Instituto Verificador de Comunicação (IVC). Nos últimos quatro anos, o Grupo ampliou sua base de assinantes digitais, com alta de 206%, entre julho de 2015 e o mesmo mês deste ano. O Grupo Estado, segundo o presidente do Conselho de Administração, Roberto Crissiuma Mesquita, vive um momento de muita energia positiva. “Iniciamos um processo de transformação digital da nossa redação”, afirma. “Estamos colocando o leitor como centro da nossa atenção, buscando tudo de melhor que a tecnologia tem para atender o que estamos chamando de sociedade em rede.”

Uma equipe especial foi destacada para preparar as reportagens que estarão, no dia seguinte, nas páginas da edição impressa de O Estado de S. Paulo. Segundo João Caminoto, diretor de Jornalismo, a missão do Grupo Estado sempre foi produzir jornalismo de excelência atendendo às demandas do leitor. “Nesse mundo de internet, essas demandas mudaram e nós também estamos nos transformando, neste momento de maneira bem incisiva, por meio de uma transformação de nossos processos de produção e também de nossos produtos”, explica Caminoto.

A mudança contou com a consultoria da espanhola Prodigioso Volcán, que liderou projetos semelhantes em veículos internacionais. Foi precedida também de visitas de profissionais do Estadão a dez jornais, nos Estados Unidos e na Europa. Os avanços digitais na redação, diz Rafaela Campani, da empresa da Espanha, exigem que seja feita uma mudança em todos os processos de trabalho dos jornalistas. “Quando a gente pensa a informação, já pensa em que forma a gente vai enviar essa informação em cada um dos canais de distribuição”, afirma.

O leitor que surge a partir do crescimento das redes sociais e da existência dos fóruns de debates leva a uma necessidade de transformação na produção jornalística, destaca Mario Tascón, diretor-geral da Prodigioso Volcán, que planejou a transformação digital na redação do Estadão e de jornais internacionais, como o El País.

“Depois de vários aprimoramentos no mercado anunciante e uma mudança significativa no tratamento aos assinantes, agora a transformação chega mais forte à redação, na maneira de preparar e entregar seus conteúdos, com foco em adequá-los aos novos canais informativos e à jornada do leitor: a informação tem de ir para as redes sociais, para o computador, para celulares e podcasts”, disse Tascón. “Já sabemos que os leitores do Estadão não consomem somente informação no papel, mas também se utilizam de outros canais. Isso implica mudanças na maneira de produzir conteúdo, como alterações nos horários da redação, por exemplo, porque o leitor espera que o Estadão acompanhe os acontecimentos 24 horas por dia”.

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