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Instagram e WhatsApp são as rotas preferidas pela desinformação para a eleição de 2020 nos EUA, diz estudo Reprodução

Instagram e WhatsApp são as rotas preferidas pela desinformação para a eleição de 2020 nos EUA, diz estudo

A rede social Instagram e o aplicativo de mensagens WhatsApp, duas plataformas do Facebook, têm potencial para serem as principais vias de propagação da desinformação on-line durante a campanha à presidência dos Estados Unidos, em 2020. A previsão é de um relatório do Stern Center, da New York University (NYU), segundo o qual os vídeos manipulados (deepfakes) serão outro tormento para os norte-americanos, que também verão falsidades espalhadas no Facebook, no YouTube (do Google) e no Twitter.

Instagram e WhatsApp já protagonizaram enxurradas de desinformação, lembra o estudo, mas não receberam nos últimos anos os mesmos mecanismos de defesa implantados pelo Facebook em sua principal plataforma ou pelo Google no YouTube. No ano passado, um relatório do Comitê de Inteligência do Senado dos Estados Unidos descobriu que o Instagram era uma ferramenta maior de desinformação russa do que o Facebook nas eleições de 2016. "O Instagram não tinha o mesmo conjunto de regras ou capacidades para identificar informações falsas que seu irmão mais velho, o Facebook", diz Paul Barrett, professor de direito da NYU que escreveu o novo relatório. Enquanto isso, a desinformação no WhatsApp já influenciou as eleições no Brasil e na Índia.

Em agosto, o Instagram começou a testar uma ferramenta para sinalizar informações falsas. O WhatsApp limitou a facilidade com que as mensagens podem ser encaminhadas. Os usuários poderiam encaminhar mensagens para 256 grupos de bate-papo, cada um dos quais com 256 membros, destacou o MIT Technology Review. Agora, os usuários podem encaminhar para apenas cinco grupos de bate-papo.

Mas isso pode não ser suficiente, diz Barrett. Ele acha que, no mínimo, o Instagram precisa adotar todas as ferramentas que o Facebook está usando. Isso inclui 54 parceiros de verificação de fatos em 24 idiomas. Quanto ao WhatsApp, o professor acha que a plataforma deve limitar os usuários para que eles possam encaminhar mensagens para não mais que um único grupo. Mas "é quase impossível para essas plataformas, dada a forma como elas são criadas, se defender completamente da intromissão e desinformação que elas enfrentarão", disse Barrett.

O Instagram, por exemplo, é um "local ideal para memes", geralmente um vídeo, imagem ou pedaço de texto humorístico. E os memes são uma maneira comum de distribuir citações falsas e desinformação, diz o relatório. Enquanto isso, as mensagens criptografadas privadas do WhatsApp criam um ambiente para a disseminação viral da desinformação sem a capacidade de policiá-la.

O Facebook disse estar ciente de que os adversários estão constantemente mudando suas técnicas. Grande parte do trabalho da empresa – incluindo ferramentas e políticas – entre marcas está focada em permanecer um passo à frente, informou a Fortune. "Também sabemos que a segurança nunca termina e não podemos fazer isso sozinhos, por isso estamos trabalhando com formuladores de políticas e especialistas externos para garantir que continuemos a melhorar", disse Tom Reynolds, porta-voz do Facebook.

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https://www.technologyreview.com/f/614255/instagram-whatsapp-disinformation-2020-presidential-election-politics-technology-facebook/