Em julgamento polêmico, júri absolve dois acusados da morte do radialista Jefferson Pureza

Em julgamento polêmico, júri absolve dois acusados da morte do radialista Jefferson Pureza

Dois acusados de envolvimento no assassinato do radialista Jefferson Pureza, em Edealina (GO), foram absolvidos em júri popular na última segunda-feira (9). Os jurados reconheceram a participação do ex-vereador José Eduardo Alves da Silva – acusado de ser o mandante do assassinato – e do caseiro Marcelo Rodrigues dos Santos no crime, mas decidiram condenar os dois somente pela corrupção dos menores que praticaram homicídio.

O resultado polêmico foi anunciado, segundo reportagem da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), depois de um julgamento que durou mais de 15 horas e contou com acalorada discussão entre a defesa dos réus e a acusação, além do depoimento de testemunhas no Fórum de Edeia, cidade a 31 km de Edealina e 125 km de Goiânia.

Antes mesmo de o juiz Aluízio Martins Pereira de Souza anunciar o resultado da votação, amigos e familiares dos acusados – maioria entre os presentes ao julgamento – comemoravam a decisão dos sete jurados do lado de fora do plenário, relatou a reportagem da Abraji.

Silva foi sentenciado a quatro anos de prisão e Santos a quatro anos e dez meses. Os dois réus comemoraram a decisão ao ouvir a leitura feito pelo juiz. Na prática, eles serão beneficiados por um alvará de soltura e ficarão em liberdade para aguardar os próximos passos do caso.

“Não havia provas de que houve pagamento para a execução do crime, mas ao mesmo tempo havia provas da conversa dele com os menores. Isso [o resultado] aconteceu porque o júri considerou que as provas não eram contundentes, nem fortes o suficiente para a condenação”, disse o advogado do ex-vereador, Henrique Paixão, que considerou o resultado coerente, mas a pena, excessiva. “Entramos com recurso, porque a dosagem da pena de corrupção [de menores] é muito próxima do máximo (quatro anos). Entendemos que deveria estar perto do mínimo, de um ano”.

A decisão, segundo relato da Abraji, surpreendeu a acusação, já que em outubro outro envolvido no caso, Leandro Cintra da Silva, foi condenado a 14 anos de reclusão. Cintra da Silva é dono do lava-jato onde foi feita a negociação do crime e do celular usado por um dos menores para combinar o assassinato com os outros adolescentes. Os três menores envolvidos já cumpriram medidas socioeducativas e ficaram acautelados por seis meses.

“O júri condenou os dois pelo crime de corrupção de menores e, apesar de reconhecer o envolvimento deles no assassinato, os absolveu no caso de homicídio. Eles saem condenados com a pena branda. Vamos recorrer para instância superior e será decidido se haverá um novo julgamento ou não”, afirmou o promotor José Eduardo Veiga Braga Filho que vai recorrer pela realização de um novo júri.

Para o assistente de acusação, o advogado Joel Pires, “houve uma confusão” na hora da votação dos quesitos (materialidade, autoria, absolvição e qualificadoras). “Não gostei. Não consigo entender. Eles reconhecem a autoria dos dois no crime, mas mesmo assim, na votação dos quesitos, os absolveram. Vamos entrar com apelação”.

O radialista Jefferson Pureza, foi morto na noite de 17 de janeiro de 2018 com três tiros no rosto, ao ser surpreendido enquanto descansava na varanda de sua casa. Segundo as investigações, o crime foi negociado por R$ 5 mil e um revólver.

Leia mais em:

https://abraji.org.br/juri-absolve-dois-acusados-da-morte-do-radialista-jefferson-pureza

http://portalimprensa.com.br/noticias/ultimas_noticias/82987/em+decisao+contraditoria+juri+absolve+mandante+de+morte+de+radialista+em+goias

https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2019/12/10/vereador-e-amigo-sao-absolvidos-em-juri-popular-pela-morte-do-radialista-jefferson-pureza.ghtml