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Capa do Capital Gazette um dia após o massacre na redação do jornal Capa do Capital Gazette um dia após o massacre na redação do jornal Reprodução

Edição de 2019 dos prêmios Pulitzer reflete violência contra a imprensa e a livre expressão

A violência contra jornalistas e veículos noticiosos, as investigações envolvendo um dos mais poderosos políticos do mundo, que ameaça de forma constante a imprensa livre – o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump –, e a cobertura de tiroteios em massa pautaram a entrega dos prêmios Pulitzer de 2019 dirigidos ao jornalismo, em 14 categorias.

Não foi por acaso que, na tarde de segunda-feira (15), antes de anunciar os agraciados da 103ª edição do Pulitzer, Dana Canedy, administradora da premiação concedida pela Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia, fez uma homenagem à equipe do jornal estudantil The Eagle Eye da escola Marjory Stoneman Douglas, de Parkland, na Flórida, onde em 2018 um ex-aluno promoveu um tiroteio que matou 17 pessoas. "Esses jovens jornalistas lembram-nos do compromisso inabalável da mídia de dar testemunho, mesmo nas circunstâncias mais dolorosas", disse Dana.

A administradora dos prêmios Pulitzer reiterou em seu discurso que o objetivo da premiação é reconhecer o trabalho jornalístico de excelência, mas acrescentou depois, em coletiva, que e edição deste ano também tem outra missão: chamar atenção para a violência contra o jornalismo. "O que acabamos de fazer é uma declaração enorme [disso]", disse.

Trump

A influência do presidente dos Estados Unidos paira sobre qualquer conversa sobre ameaças a jornalistas e à liberdade de imprensa, assinalou Andrew McCormick, em reportagem no site Columbia Journalism Review, da escola de jornalismo de Columbia. O nome do republicano quase não foi falado durante a cerimônia de entrega dos prêmios, mas os jornais The Wall Street Journal e The New York Times foram premiados por reportagens relacionadas a Trump.

O  The Wall Street Journal recebeu a premiação de melhor jornalismo nacional (EUA) por revelar os pagamentos que o então candidato a presidente ordenou que seu advogado fizesse a duas mulheres com as quais teve relacionamento. O The New York Times foi condecorado pela investigação que detalhou a fortuna da família Trump.

O prêmio na categoria serviço público, a principal honra do Pulitzer, segundo McCormick, foi para o South Florida Sun Sentinel, por sua cobertura de falhas por parte de policiais e funcionários da escola após o tiroteio na escola Marjory Stoneman Douglas. A horraria destinada a “últimas notícias”, foi para o Pittsburgh Post-Gazette por sua cobertura na sequência de um tiroteio na sinagoga Tree of Life de Pittsburgh.

"Compromisso inabalável"

Um prêmio especial foi entregue ao Capital Gazette, que sofreu um atentado a tiros no ano passado que deixou cinco mortos da equipe do jornal. A premiação foi entregue com destaque para o fato de o diário “demonstrar compromisso inabalável de cobrir as notícias e servir sua comunidade em um momento de pesar indescritível”.

Os prêmios também abordaram ameaças a jornalistas em outros lugares. A Reuters, por exemplo venceu dois, um deles de reportagem internacional pela investigação que revelou a execução de muçulmanos rohingyas por camponeses budistas e forças de segurança de Mianmar. Os jornalistas da Reuters Wa Lone e Kyaw Soe Oo, presos há 490 dias e que participaram da cobertura da violência do governo contra os rohingyas, receberam menção honrosa.

O outro prêmio recebido pela Reuters foi para o relato fotográfico da agência de notícias sobre migrantes na fronteira dos Estados Unidos. A Reuters dividiu o prêmio de reportagem internacional com Associated Press (AP), que detalhou atrocidades da guerra no Iêmen, incluindo o roubo de ajuda alimentar, o uso de crianças como soldados e a tortura de prisioneiros.

Os prêmios Pulitzer, considerados os de maior prestígio no jornalismo norte-americano, são concedidos desde 1917, depois de serem estabelecidos no testamento do publisher Joseph Pulitzer.

Veja aqui a lista completa dos premiados.

Leia mais em:

https://elpais.com/cultura/2019/04/15/actualidad/1555342195_287342.html

https://www.cjr.org/business_of_news/pulitzer-prizes-2019-violent-year-journalists.php