Manifestação contra o Patriot Act, em 2003 Manifestação contra o Patriot Act, em 2003 Reprodução/NPR

Relação entre presidentes e imprensa do EUA sempre foi tensa e prejudicial à mídia local, diz vencedor do Pulitzer

A violenta retórica do presidente norte-americano Donald Trump contra as organizações de notícias e jornalistas críticos ao seu governo – inimigos do povo, segundo o republicano – não exatamente uma novidade no que diz respeito a estragos causados por ocupantes da Casa Branca ao jornalismo local dos Estados Unidos. Em artigo no site Editor&Publisher, o jornalista vencedor do prêmio Pulitzer Tim Gallagher, conta algumas histórias de “200 anos” de complicada relação entre presidentes e imprensa e os impactos na mídia local.

John Adams (presidente entre 1797 e 1801), por exemplo, defendeu a Lei da Sedição de 1798 que tornava crime criticar o governo. “As prisões estariam lotadas de jornalistas se o próximo presidente, Thomas Jefferson, não a tivesse eliminado”, lembra Gallaghe, para em seguida destacar que a maioria dos jornais locais sofreu algum ato legislativo ou decisão administrativa em punição à imprensa.

O presidente Woodrow Wilson (1913 a 1921) estava tão determinado a contornar o escrutínio do jornalismo, diz Gallaghe, que criou o Comitê de Informação Pública, forçando a propaganda política. “Cada presidente usou as ferramentas de mídia de sua época para contornar a mídia ‘tendenciosa’ e ir diretamente ao povo”, diz o jornalista, para quem a tática funciona apenas com a base mais leal dos governantes.

Em muitos casos, continua Gallaghe, os presidentes usam a segurança nacional ou a segurança pública como desculpa. “Após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, o presidente George W. Bush pressionou – e o Congresso concordou – com o Patriot Act, que removeu uma quantidade surpreendente de liberdades individuais. Nunca recuperamos algumas delas, tudo feito em nome da segurança nacional”. John F. Kennedy, prossegue o jornalista, era notório por favorecer alguns repórteres e congelar outros. “Os presidentes vão e vêm, mas os ataques à mídia por aqueles que estão no poder nunca deixarão de vir”, diz Gallaghe.

Leia aqui a íntegra do artigo de Tim Gallagher, publicado no Editor&Publisher.