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Número de deepfakes nas redes sociais quase dobrou em apenas sete meses, diz estudo Reprodução

Número de deepfakes nas redes sociais quase dobrou em apenas sete meses, diz estudo

O compartilhamento em redes sociais de vídeos e áudios manipulados por meio de inteligência artificial com o objetivo de propagar desinformação – deepfakes – quase dobrou nos últimos sete meses, segundo estudo da Deeptrace, empresa holandesa de cibersegurança. A maioria, 96%, é composta por conteúdos pornográficos, que quase sempre atacam reputações, em especial as mulheres. Um número menor tem como alvo políticos, empresários ou celebridades. Os dados indicam que esse tipo de fraude pode em breve se consolidar como uma potente arma para campanhas de difamação, alertam os pesquisadores. As deepfakes serão debatidas no seminário DESINFORMAÇÃO: ANTÍDOTOS E TENDÊNCIAS, a ser realizado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) no dia 17 de outubro, em São Paulo. 

A pesquisa da Deeptrace destaca uma crescente mercantilização de ferramentas e serviços para a criação da chamada mídia sintética. Na prática, isso possibilita que amadores consigam produzir adulterações com qualidade semelhante às realizadas por especialistas. A empresa também identificou a China e a Coréia do Sul como polos de criação de deepfakes.

Por enquanto, a maioria dos deepfakes não é boa o suficiente para enganar a maioria das pessoas, mas se tornará mais realista e sofisticada, disse Henry Ajder, principal autor do relatório da Deeptrace – "The State of Deepfakes" –, à revista Fortune. "As falsificações profundas, verdadeiramente indistinguíveis, ainda não estão aqui em larga escala, mas estão chegando e, no momento, não estamos preparados para elas", afirmou.

Os pesquisadores da Deeptrace também encontraram o que chamam de "ecossistema estabelecido" de sites de pornografia deepfake. "O fato de que todos esses sites continham publicidade e havia um claro incentivo financeiro ou comercial mostra que eles não irão embora tão cedo", lamentou Ajder.

Essa tendência levou o Comitê de Inteligência da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos a realizar, em junho deste ano, uma audiência sobre os desafios de segurança nacional em relação à inteligência artificial, à mídia manipulada e a deepfakes. Na semana passada, os senadores Marco Rubio (republicano) e Mark Warner (democrata) levantaram preocupações sobre a crescente ameaça representada pelos deepfakes.

Em cartas a 11 empresas de mídia social, incluindo Facebook, Twitter e YouTube, Rubio e Warner instaram as empresas a desenvolver padrões da indústria para compartilhar, remover e arquivar conteúdo sintético o mais rápido possível, tendo como preocupação central as eleições norte-americanas de 2020. Além disso, tramitam no Congresso dos Estados Unidos pelo menos quatro projeto de lei para criminalizar a mídia sintética usada para enganar ou desestabilizar o público.

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https://fortune.com/2019/10/07/porn-to-scams-deepfakes-big-racket-unnerving-business-leaders-and-lawmakers/?utm_source=email&utm_medium=newsletter&utm_campaign=data-sheet&utm_content=2019100813pm