Número de jornalistas presos no mundo segue alarmante enquanto cresce a repressão global à imprensa Reprodução

Número de jornalistas presos no mundo segue alarmante enquanto cresce a repressão global à imprensa

Pelo menos 250 jornalistas estão presos no mundo atualmente, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (11) pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). O número, alerta a organização, é elevado, apesar de ser um pouco menor do que o registrado em 2018 (255), mantendo-se muito próximo do recorde de prisões, verificado em 2016 (273), pelo quarto ano consecutivo.

 

A China é o pior carcereiro da lista, seguida de Turquia, Arábia Saudita, Egito, Eritreia, Vietnã e Irã. A maioria dos jornalistas presos enfrenta acusações por parte do Estado, e o relatório chama a atenção para o crescimento no número de jornalistas incriminados por publicar "notícias falsas" – são 30 contra 28 no ano passado – em meio a um crescente ataque de governos, mesmo em algumas democracias, contra a mídia independente.

"A prisão de um único jornalista é uma terrível injustiça que tem consequências de longo alcance para familiares, amigos e colegas", disse Joel Simon, diretor-executivo do CPJ. “Mas a prisão de centenas de jornalistas – ano após ano – é uma ameaça ao sistema global de informações do qual todos dependemos”, afirmou. “Governos repressivos estão usando essas táticas cruéis para privar suas próprias sociedades e o mundo inteiro de informações essenciais.”

O CPJ contabilizou pelo menos 48 jornalistas presos na China, um a mais que em 2018. Questionada sobre isso, uma porta-voz da diplomacia chinesa, Hua Chunying, disse a repórteres nesta quarta-feira que a China é um "país regido pela lei". "Se você violar a lei, qualquer que seja seu status, seja jornalista ou funcionário público, estará sujeito a uma investigação judicial", explicou.

Atrás da China, aparece a Turquia com 47 jornalistas presos. O número, embora em queda em relação ao ano passado (63), não representa realmente uma melhoria: o governo fechou mais de cem meios de comunicação e lançou investigações por apologia ao terrorismo que intimidaram ou fizeram muitos jornalistas perderem seus empregos. Arábia Saudita e Egito têm 26 jornalistas presos.

Entre os casos emblemáticos, a ONG cita a chinesa Sophia Huang Xueqin, presa em outubro depois de descrever em seu blog sua experiência nas manifestações pró-democracia em Hong Kong, e o iraniano Mohamad Mosaed, que enviou um tuite durante um corte de Internet destinado a limitar a divulgação de notícias sobre uma manifestação contra os preços dos combustíveis.

Outras apurações do censo anual do CPJ incluem:

• 98% dos jornalistas presos em todo o mundo são oriundos dos países que cobriam. Três dos quatro jornalistas com cidadania estrangeira estão encarcerados na Arábia Saudita e o quarto na China.

• De todos os jornalistas aprisionados, 20 são do sexo feminino, o equivalente a 8% em comparação aos 13% no ano passado.

• A política foi o tema com maior probabilidade de levar jornalistas à prisão, seguido por direitos humanos e corrupção.

• Mais da metade dos repórteres que estão atrás das grades publicava pela Internet.

Leia mais em:

https://cpj.org/pt/2019/12/china-turquia-arabia-saudita-e-egito-sao-os-piores.php

https://cpj.org/pt/2019/12/-pelo-menos-250-jornalistas-presos-em-todo-o-mundo.php