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Exército colombiano espionou jornalistas, magistrados e políticos, informa reportagem Reprodução/Reuters

Exército colombiano espionou jornalistas, magistrados e políticos, informa reportagem

Unidades do exército colombiano realizaram escutas ilegais nos telefones e e-mails de jornalistas, magistrados e políticos, segundo uma investigação jornalística revelada no último sábado (11) pela revista Semana. A publicação, uma das mais importantes da Colômbia, relata que teve acesso a fotografias, documentos secretos e vídeos de acompanhamento, além de mais de uma dúzia de fontes diretas, que apoiam sua investigação. A vigilância, segundo a reportagem, era realizada desde as instalações militares e tinha como objetivo proteger as forças armadas do escrutínio da Justiça e da imprensa.

 “As unidades do exército se dedicaram no ano passado a deslocar suas unidades móveis e usar seus equipamentos de última geração para saber o que alguns jornalistas, políticos, magistrados e até coronéis, generais e comandantes de outras forças estão fazendo”, informa a revista. Entre os afetados estão os magistrados do Supremo Tribunal, congressistas de diferentes espectros políticos, governadores e repórteres da Semana que receberam ameaças no ano passado.

“Para a missão e para os alvos, esses (acompanhamentos) foram orientados para questões estritamente políticas, distante de nossa missão e nas quais não devemos interferir”, declarou um suboficial entrevistado pelo semanário e cuja identidade não foi revelada. Um dos alvos foi a juíza Cristina Lombana, que até maio estava encarregada do caso em andamento contra o ex-presidente e senador Álvaro Uribe por suposta manipulação de testemunhas que poderiam levá-lo a julgamento.

Um dos soldados envolvidos disse que receberam ordens de fornecer informações sobre Lombana “diretamente a um político reconhecido do Centro Democrático”, o partido no poder, liderado por Uribe. O presidente Iván Duque, afilhado político do ex-mandatário, disse que seu governo terá “tolerância zero” para com membros das forças públicas que violam a lei e pediu aos altos comandantes militares que investiguem a fundo qualquer queixa sobre irregularidades.

A publicação também indica que informações sobre as irregularidades chegaram ao conhecimento do ministro da Defesa, Carlos Holmes Trujillo, que por esse motivo teria solicitado o afastamento do comandante do exército, general Nicacio Martínez. Questionado por violações de direitos humanos, Martínez deixou o cargo em 27 de dezembro, citando motivos pessoais e em meio a elogios de Duque.

A Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP) rechaçou as interceptações ilegais e as intimidações contra jornalistas por parte do exército. A organização informou que as ações violam a constituição e a lei penal do país, expõem os jornalistas ao perigo e colocam em xeque o exercício da liberdade de imprensa.

Não é a primeira vez que as autoridades colombianas são acusadas de acompanhamento ou interceptação ilegal. O extinto Departamento Administrativo de Segurança (DAS), subordinado à presidência, esteve envolvido, sob o governo de Uribe (2002-2010), em um escândalo nacional por ouvir ilegalmente magistrados, opositores e jornalistas da Suprema Corte.

Leia mais em:

https://www.france24.com/es/20200113-vuelven-las-chuzadas-a-colombia-el-ej%C3%A9rcito-espi%C3%B3-magistrados-congresistas-y-periodistas-seg%C3%BAn-investigaci%C3%B3n

http://www.ultimasnoticias.com.ve/noticias/mundo/rechazan-interceptaciones-ilegales-de-periodistas-en-colombia/

https://elpais.com/internacional/2020/01/11/actualidad/1578765042_728295.html

https://www.elespectador.com/noticias/judicial/el-nuevo-escandalo-de-chuzadas-del-ejercito-articulo-899476