FOLHA DE S.PAULO – 27/09/2018
Mariliz Pereira Jorge
Os eleitores do candidato não se cansam de transformar a caixa de comentários de reportagens e artigos de opinião numa pocilga. Tudo o que os desagrada é considerado fake news, ainda que não passem da manchete ou não tenham capacidade de interpretar o que leem. Isso quando não tentam fazer da vida dos profissionais um pequeno inferno com suas ofensas e intimidações em posts das redes sociais.
Não apenas a direita sectária tem esse tipo de comportamento de instigar ódio em relação aos jornalistas e aos veículos de imprensa. Os blogs sujos bancados com dinheiro público durante os anos de governo petista, se não inauguraram, intensificaram a patrulha, perseguindo profissionais com textos mentirosos e sensacionalistas. Eu mesma já fui pauta desses jornalecos e, mais recentemente, passei a ser alvo também dos bolsominions.
O Partido dos Trabalhadores, de um lado, Jair Bolsonaro e os Bolsofilhos, do outro, têm culpa nesse clima de desconfiança que se instaurou. Só precisam decidir se a imprensa é golpista ou comunista.
Questionar o trabalho jornalístico é um direito de todos. Há, inclusive, meios legais para isso. Jogar a opinião pública contra a imprensa, além de não ser uma atitude nada democrática, é um caminho que pode facilmente descambar para a violência. Alguém duvida que essa onda de ódio não vai acabar bem?