A família do ex-diretor do jornal El Espectador, da Colômbia, Guillermo Cano Isaza, assassinado em 1986, fez nesta terça-feira (2) novo apelo à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para que dê continuidade ao processo sobre o crime, paralisado desde 2001, o que deixa o caso na impunidade há quase 32 anos. Os familiares de Cano reuniram-se, nos Estados Unidos, com representantes da CIDH acompanhados de integrantes da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), da Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP), da organização Robert F. Kennedy Human Rights e do governo colombiano.
Antes, em comunicado, a família de Cano, morto a mando do narcotraficante Pablo Escobar, e as entidades defensoras da liberdade de imprensa e dos direitos humanos lembraram que o caso foi apresentado pela SIP à CIDH em 1997. Em 2001, a Comissão concluiu que o governo da Colômbia não havia cumprido com sua obrigação de garantir a vida do jornalista e também com seu dever de investigar, julgar e condenar os responsáveis pelo crime. Em seguida, ficou decidido que as autoridades colombianas seriam chamadas a responder diante da Comissão. Inexplicavelmente, relatou o El Espectador no começo deste ano, o governo nunca foi notificado.
Na nota de hoje, os familiares de Cano e as entidades de defesa dos direitos humanos e da liberdade de imprensa destacam que os anos de impunidade são uma dolorosa tragédia e que a retomada do processo por parte da CIDH será uma forma de reivindicar o legado de Cano e de outros 13 jornalistas do El Espectador assassinados em represália a seus trabalhos na Colômbia. “Confiamos que a CIDH e o Estado colombiano cumpram com os padrões internacionais de justiça e verdade neste processo”.
Cano foi assassinado a tiros em 17 de dezembro de 1986, quando deixava a sede da redação do El Espectador em Bogotá. Por sua dedicação jornalística para informar sobre os crimes do narcotráfico, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) batizou com o nome dele seu prêmio de liberdade de imprensa.
Lei mais em:
https://www.sipiapa.org/notas/1212700-caso-guillermo-cano-presente-reunion-trabajo-la-cidh