O GLOBO – 03/10/2018
Netflix, Amazon e outros serviços de conteúdo sob demanda (streaming) precisarão ter ao menos 30% de seu catálogo compostos por conteúdo produzido na Europa, de acordo com a legislação para a região aprovada ontem. O objetivo da nova política da União Europeia (UE) é modernizar a legislação audiovisual em um momento em que as pessoas, cada vez mais, veem seriados, filmes e outros conteúdos on-line.
A lei, que também pode exigir que plataformas digitais ajudem a financiar a TV e a produção de filmes da Europa, ainda precisa ser validada pelos membros da UE. Depois disso, os países do bloco terão dois anos para implementar as regras por meio de legislações próprias.
Algumas das maiores plataformas já têm grande oferta de conteúdo europeu, mas todos os novos filmes e séries terão de ser equilibrados com conteúdo europeu para alcançara cota de 30% de produção europeia. O conteúdo local também deverá terbo a visibilidade e exposição nas plataformas.
Procuradas, Amazon e Netflix não comentaram.
Apesar das exigências, a nova regra da UE pode se provar boa para os negócios.
—Já vimosa importância da oferta de conteúdo local na indústria musical — disse Paolo Pescatore, analista independente de tecnologia emídia.—Devidoà fragmentação do mercado europeu, existe demanda.
A medida também é importante para os provedores de conteúdo sob demanda, considerando que as companhias trabalham para crescer internacionalmente. ANetflix, por exemplo, exibe séries como“Mar seille”,umat rama policial francesa estrelada porGérardDep ardieu, além da italiana “Suburra”. Uma programação com idio-mas locai sé bem acolhida pe-lo público europeu, sendo mais popular junto aos anun- ciantes do que as séries im- portadas, avaliam analistas.
EM 2014, APENAS UMA SÉRIE
Essas plataformas “perceberam que, ao se tornarem globais, terão de encontrar um equilíbrio entre grandes bilheterias globais e a oferta aos mercados regionais”, disse Pescatore.
Este ano, a Netflix está dobrando seu orçamento para programação europeia para US$ 1 bilhão. A Amazon terá em breve ao menos uma dúzia de séries originais produzidas na Europa, contra apenas uma em 2014.