O ESTADO DE S.PAULO – 10/10/2018

A Arábia Saudita autorizou ontem os serviços de segurança turcos a realizarem uma busca em seu consulado em Istambul em meio a uma investigação sobre o desaparecimento do jornalista saudita Jamal Khashoggi. O Ministério das Relações Exteriores da Turquia informou que a busca ocorrerá “o mais rápido possível”.

Khashoggi, crítico do governo saudita, que colaborava com o jornal The Washington Post, havia entrado no consulado no dia 2 para realizar trâmites administrativos. Segundo a polícia turca, ele jamais deixou o local. Segundo autoridades da Turquia, ele teria sido assassinado dentro do consulado.

O príncipe herdeiro saudita Mohamed bin Salman afirmou que Khashoggi “entrou” no consulado, mas pouco depois saiu. Ele mesmo convidou as autoridades turcas a revistarem o consulado. O Washington Post pediu aos EUA, em seu editorial de domingo, que “exijam respostas fortes e claras” da Arábia Saudita.

Citando uma autoridade americana, o Post afirmou que “o corpo de Khashoggi teria sido esquartejado e colocado em caixas, antes de ser enviado por via aérea para fora do país”. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que aguardaria os resultados da investigação para se manifestar.

O presidente turco informou que as entradas e saídas do consulado, assim como os embarques e desembarques do aeroporto, estavam sendo examinados. Erdogan pediu às autoridades sauditas que “provem” que Khashoggi deixou o consulado.

Segundo o canal de TV TRT World, as autoridades turcas suspeitam que um grupo de sauditas que esteve em Istambul no dia do desaparecimento tenha levado as imagens das câmeras de segurança do consulado. Segundo o jornal Sabah, dois aviões particulares pertencentes a uma empresa ligada ao regime saudita pousaram em Istambul no dia 2 e partiram no mesmo dia – um para Dubai, nos Emirados Árabes, outro para o Egito – e depois retornaram à Arábia Saudita.

Seis veículos também foram vistos deixando o consulado duas horas e meia após a entrada de Khashoggi, segundo o jornal turco, que cita a possibilidade de o jornalista não ter sido assassinado, mas transportado em um dos aviões.