O ESTADO DE S.PAULO – 10/10/2018

Uma ativista saudita pelos direitos da mulher estava dirigindo nos Emirados Árabes Unidos quando foi abordada por autoridades, colocada num avião para a Arábia Saudita e presa. Quando um estudante saudita no Canadá se recusou a parar de fazer vídeos criticando os governantes do seu país, dois de seus irmãos foram presos em seu país.

Dessa forma, quando um conhecido jornalista saudita opositor do governo, Jamal Khashoggi, despareceu depois de entrar no Consulado da Arábia Saudita em Istambul no dia 2 de outubro, não foi surpresa nenhuma para seus colegas dissidentes no exterior — até a Turquia afirmar que acreditava na hipótese de assassinato.

Até mesmo para um país que tem usado o medo para controlar opositores, a possibilidade de o Estado ter assassina doum conhecido dissidente num país estrangeiro causa uma tensão crescente.

Ainda que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, se apresente como um modernizador do país, ele tem se mostrado cada vez mais intolerante com os críticos. Mandou prender ativistas dos direitos das mulheres, empresários e rivais, e ignorou fronteiras ao enquadrar até mesmo expatriados.

Ainda não está claro o que aconteceu com Khashoggi, que não é visto desde que entrou no consulado na última terça. Autoridades turcas dizem AFP/9-10-2018 que ele foi morto por agentes sauditas lá dentro. Já as autoridades sauditas negam, dizendo que Khashoggi deixou o prédio pouco depois.

Dissidentes sauditas no exterior não têm dúvidas de que o governo atentou contra Khashoggi por conta de sua importância.

— É uma mensagem muito clara, de que podem alcançar você onde quer que esteja — disse Ghanem alDosary, um dissidente saudita que vive em Londres.

Os dissidentes da Arábia Saudita não formam uma oposição organizada e monolítica; antes, são uma mistura de ativistas, escritores, influenciadores digitais e várias outras pessoas que criticam diferentes assuntos.