O GLOBO – 17/10/2018

Enquanto o senador republicano Lindsey Graham, próximo a Donald Trump, chamou o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, conhecido como MBS, de “assassino” e “tóxico”, o presidente americano continuou a tentar pôr panos quentes no caso do sumiço do jornalista Jamal Khashoggi. Trump disse ter falado com MBS, e que este voltou a negar ter conhecimento da sorte do jornalista, que sumiu no dia 2 de outubro dentro do consulado saudita em Istambul. Khashoggi era crítico do príncipe herdeiro.

De acordo com analistas citados pelo “New York Times”, ahesitaçãodeTrumptemaver com os planos da Casa Branca para isolar o Irã. Os EUA já impuseram sanções contra o país e preparam um novo conjunto de punições em 4 de novembro, com a intenção de cortar todas as exportações de petróleo iraniano.

Para que a agressiva estratégia funcione, o governo conta com um bom relacionamento com os sauditas, de modo a manter o fluxo de petróleo internacional e conter o Irã no Golfo. Se o plano der certo, os sauditas provavelmente verão um aumento significativo nas receitas petrolíferas.

O plano agora se vê ameaçado por conversas no Congresso sobre possíveis sanções ao reino. Graham, um aliado de Trump,afirmouqueWashington deveria retaliar Riad:

— Este cara é um desastre completo. Assassinou este outro sujeito em um consulado na Turquia e espera que eu vá ignorar isso. Sinto-me usado e abusado. —disse, em entrevista à Fox News. — Vou impor sanções à Arábia Saudita.

TRUMP: ‘PRÍNCIPE NEGOU’

O G-7, grupo que reúne sete dasmaioreseconomiasdoplaneta, também pediu o esclarecimento do assassinato. Para reverter a crise, o secretário de Estado, Mike Pompeo, foi enviado, em visita de emergência, para ver MBS e o rei SalmanontememRiad.Opríncipe e Pompeo reafirmaram a parceria entre os países. De acordo com a porta-voz do Departamento de Estado, o secretário reforçou a importância de uma “investigação completa, transparente e rápida”.

Trump reforçou a mensagem de Pompeo. No Twitter, afirmou que falou“com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita,quenegoutotalmentequalquer conhecimento sobre o queaconteceunoseuconsulado”. Trump acrescentou que MBS garantiu “que já começou,eiráexpandirrapidamente, uma total e completa investigação sobre o tema. Respostas virão em breve.”

Anteontem, a CNN e o “New York Times” indicaram que a Arábia Saudita estaria preparando um informe oficial culpando agentes fora de controle pela morte de Khashoggi, versão que o próprio Trump já cogitou após conversa com o rei Salman.

Ontem, o “NYT” indicou que um dos suspeitos identificados pela Turquia é um companheiro frequente do príncipe herdeiro saudita, e três foramligadosportestemunhase outros registros ao seu aparato de segurança. Um quinto suspeito seria um médico legista com posição de destaque no MinistériodoInteriorsaudita. A presença do grupo no consulado, se provada, comprometeria a versão de uma operação que deu errado.