O ESTADO DE S.PAULO – 19/10/2018

Os hackers responsáveis pelo roubo de dados de 30 milhões de usuários do Facebook não estavam agindo sob motivação política, mas sim interessados em faturar com spam e outras formas de anúncios a partir do uso das informações pessoais. As informações, publicadas pelo jornal americano Wall Street Journal nesta semana, citam fontes familiarizadas com as investigações promovidas pela rede social para entender o escopo do ataque, revelado em setembro e detalhado na última semana.

Por enquanto, o Facebook não comenta a identidade dos hackers, dizendo apenas que está colaborando com o Federal Bureau of Investigation (FBI, na sigla em inglês) nas investigações. Segundo a reportagem do WSJ, os invasores pertencem a uma suposta “agência de marketing digital” e suas ações já são conhecidas do time de segurança do Facebook.

Inicialmente revelada pela empresa em setembro, a falha de segurança apareceu no código da função “Ver Como”, que permite aos usuários visualizar como seus perfis são vistos por quem não é seu amigo na rede social. Com isso, os invasores conseguiram acesso aos perfis dos usuários da mesma forma que os proprietários das contas.

Com usuários brasileiros entre os afetados, a brecha deixou pessoas vulneráveis a outros tipos de ataques cibernéticos, como phishing, no qual mensagens com links ou arquivos suspeitos são enviados para o usuário, com o intuito de roubar informações – em especial, financeiras.

Nos EUA, o Facebook já está sendo processado na Justiça por consumidores por não proteger seus dados. Na Europa, a Comissão de Proteção de Dados da Irlanda está investigando o caso – segundo o órgão, cerca de 5 milhões de usuários europeus tiveram seus dados comprometidos. Além disso, aqui no Brasil, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MP-DFT) também abriu inquérito sobre o caso.