O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, protagonizou na noite de quinta-feira (18) nova iniciativa com o objetivo de desqualificar a imprensa. Em uma declaração que provocou críticas de associações de jornalistas, o mandatário norte-americano elogiou o deputado republicano Greg Gianforte, que concorre à reeleição por Montana no pleito legislativo de 6 de novembro, por ter agredido, em novembro do ano passado, o repórter do jornal britânico The Guardian Ben Jacobs. “Qualquer um que consiga arremessar outra pessoa no chão é um dos meus”, disse Trump durante comício.
“Eu ouvi falar que ele [Gianforte] tinha derrubado um repórter no chão”, disse o presidente, observando que primeiro achou que o deputado fosse perder apoio, relatou o jornal The New York Times. “Então eu pensei: ‘Espere um minuto, eu conheço Montana bastante bem. Eu acho que isso vai ajudá-lo’”, emendou Trump, segundo texto do jornal norte-americano citado pelo O Globo. Trump obteve 56,2% dos votos em Montana nas eleições presidenciais de 2016, contra 35,7% da democrata Hillary Clinton.
Por conta do ataque ao repórter, Gianforte, o único representante do Estado na Câmara, foi condenado a 40 horas de serviço comunitário, a 20 horas de aulas sobre como a administrar a raiva, a uma sentença deferida de seis meses e a multas de US$ 300. Ele também doou US$ 50 mil a um grupo de proteção a jornalistas, como parte do acordo com Jacobs.
O que motivou a violência, registrada em áudio, foi uma pergunta do jornalista sobre o orçamento relacionado à saúde. “Estou cansado e enojado de vocês”, respondeu o congressista. “Na última vez que veio aqui, você fez a mesma coisa. Saia já daqui, saia já daqui”, disse, enquanto jogava o repórter no chão em um ataque que também quebrou os óculos do profissional de imprensa.
Ataque à Primeira Emenda
Ainda na noite da quinta-feira desta semana, o jornal The Guardian publicou uma resposta a Trump. “Celebrar um ataque contra um jornalista que simplesmente fazia o seu trabalho é um ataque à Primeira Emenda, realizado por alguém que jurou defendê-la”, escreveu John Mullholland, editor da versão americana do jornal, em referência ao artigo constitucional que protege a liberdade de expressão. “Na sequência do assassinato de Jamal Khashoggi [jornalista da Arábia Saudita desaparecido desde 2 de outubro], essa atitude cria o risco de incitar outros ataques contra jornalistas aqui e em outras partes do mundo, onde com frequência eles enfrentam ameaças maiores.”
A Associação de Correspondentes da Casa Branca acusou o presidente de alimentar a violência contra os meios de comunicação. “Todos os americanos deveriam rejeitar os elogios do presidente a uma agressão contra um jornalista que fazia o seu trabalho, protegido pela Constituição”, escreveu Oliver Knox, presidente do grupo, em um comunicado, acrescentando que a declaração de Trump “constitui a celebração de um crime”.
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) também instou o presidente americano a pedir desculpas. “É perturbador que o presidente Trump mais uma vez defenda aqueles que atacam a imprensa”, disse Courtney Radsch, diretora de relações institucionais do comitê.
De acordo com uma pesquisa nacional da Universidade Quinnipiac, relatou o jornal O Globo, 65% dos americanos considerem que a imprensa é uma parte importante da democracia, e 26% acreditam que ela é “inimiga do povo”, como tem dito Trump. Este percentual, no entanto, é de 51% entre os que se identificam como republicanos, e de apenas 5% entre os democratas.
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