O ESTADO DE S.PAULO – 21/10/2018
HELIO GUROVITZ
Jamal Khashoggi, o jornalista assassinado depois de entrar no consulado saudita em Istambul, proferiu há um ano palestra na Universidade Stanford, repetindo uma tese que lhe era cara: é difícil que reformas econômicas ou sociais prosperem na Arábia Saudita sem mudança política.
Khashoggi via o esforço de modernização, encabeçado pelo príncipe herdeiro Mohamed Bin Salman, ou MBS, como disfarce à tentativa de concentrar poder e como ameaça à estabilidade regional. “Estou confuso sobre meu país”, dizia. “MBS faz tudo o que pedi como jornalista, contra corrupção, extremismo e poder dos príncipes; em favor de direitos femininos, música, diversão e cinema.”
Para Khashoggi, porém, MBS fazia a coisa certa – enfrentar o expansionismo iraniano – de modo errático e apressado. “Como pôr essa estratégia em prática sem um ambiente de debate, sem um discurso aberto, capaz de discutir fracassos e sucessos?”, perguntava.