O processo de digitalização do acervo do jornal Correio do Povo (RS), que em 2025 comemora 130 anos de atuação, deve começar no mês de outubro, segundo o presidente-diretor do diário, Marcelo Dantas. O acervo, um legado de valor inestimável, reúne ainda os exemplares dos títulos históricos do veículo: Folha da Tarde, Folha da Manhã e Folha Esportiva. São mais de 7 milhões de páginas armazenadas. O projeto deve levar um ano para ser concluído e, depois, o material será disponibilizado em um portal próprio na Internet.
LEGADO HISTÓRICO
Com 130 anos a serem completos no próximo dia 1º de outubro, o Correio do Povo é destacado como o mais antigo jornal em circulação do Rio Grande do Sul, testemunha da história do Brasil e do mundo desde 1895, quando foi lançado a partir das concepções de Francisco Antônio Vieira Caldas Júnior. De lá para cá, vivenciou duas guerras mundiais, inúmeras revoluções políticas, tecnológicas e nos costumes, além de duas enchentes devastadoras na Capital, em 1941 e 2024, se mantendo firme em seu propósito de bem informar.
Desde a primeira edição, capítulos marcantes do Estado, do país e do mundo que foram contados nas páginas do Correio do Povo, são mantidos em livros divididos por períodos. Um dos responsáveis por manter e manusear o material, Paulo Bittencourt ressalta que é necessário cuidado especial para a conservação. “O espaço é mantido com climatização constante, para evitar variações térmicas bruscas, o que ajuda a conservar os jornais”, explica. Graças à ampla documentação, o acervo recebe visitas frequentes, principalmente de instituições e autoridades.
“Os jornais mais antigos são os que atraem mais curiosidade. Quando ocorre a visita, temos o hábito de mostrar a edição do dia do nascimento do visitante e o fotografamos com o exemplar”, diz Bittencourt.
LIBERDADE DE IMPRENSA
Além dos históricos acontecimentos, uma edição que não foi publicada também tem valor simbólico. Em 20 de setembro de 1972, Dia da Revolução Farroupilha, o Correio do Povo teve uma edição impressa confiscada durante o governo de Emílio Médici. A circulação foi proibida por conta de uma matéria que discutia a liberdade de imprensa. O mesmo aconteceu com a Folha da Manhã. Alguns exemplares foram salvos e hoje fazem parte do acervo.
“Entendemos que nosso acervo é único no Estado e no Brasil. Muitas coisas só existem no Correio do Povo, não estão documentadas em nenhum outro lugar”, diz Dantas. Para ele, o projeto de digitalização dos acervos de jornais e fotografias contribui para a preservação da memória dos gaúchos. “O acervo do Correio do Povo é a documentação de boa parte da história do gaúcho”, afirma.
INDEPNDÊNCIA EDITORIAL
O Correio do Povo é patrimônio histórico-cultural de Porto Alegre, segundo legislação aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal e promulgada nesta semana pela Prefeitura. O ato ocorreu no Edifício Hudson, sede do jornal, no Centro Histórico, com a presença do prefeito Sebastião Melo, do vereador proponente da lei, Carlo Carotenuto (Republicanos), de Dantas e demais autoridades.
“Essa iniciativa por parte do poder público só vem confirmar que o povo, não apenas de Porto Alegre, como também o povo gaúcho, têm o Correio do Povo como referência. Não é à toa que o jornal, em seus 130 anos, busca sempre a veracidade dos fatos. Isto está no coração do povo gaúcho. O Correio do Povo já nasceu com esta ideia de pensar independente, não tomando viés de partido. O lado do Correio do Povo é o da veracidade da notícia”, afirma Dantas.
Foto: Ricardo Giusti