O ESTADO DE S.PAULO – 19/10/2018
O cerceamento à liberdade de expressão de empresas midiáticas e o aumento da violência contra jornalistas na América do Sul. Estes serão os principais tópicos que serão discutidos a partir de hoje na a 74.ª Assembleia-Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), em Salta, na Argentina.
“Não há sociedade que possa progredir sem o jornalismo independente e ele é cada vez mais ameaçado e perseguido”, afirmou o presidente da Associação Interamericana de Imprensa, Gustavo Mohme.
Entre janeiro e outubro de 2018, 29 jornalistas foram assassinados em todo o continente americano, registrando uma das taxas mais altas na história recente. O México foi o país com o maior número de vítimas – 11, seguido por 6 mortes nos EUA, 4 no Brasil, 3 no Equador, 2 na Guatemala e 1 na Nicarágua. Além disso, um jornalista haitiano está desaparecido.
A violência contra os profissionais da imprensa será um dos principais tópicos do evento. “O assassinato é o culminar dos atos de violência contra a imprensa, que em muitas ocasiões começam com ameaças e agressões físicas”, disse Mohme, assegurando que a proteção dos jornalistas e a resolução judicial dos casos de violência são assuntos de alta prioridade para a SIP.
Mohme, diretor do jornal peruano La República, acrescentou “que a impunidade que geralmente cerca as agressões e os assassinatos, em mais de 90% dos casos, agrava a sensação de desproteção dos jornalistas, mais ainda se trabalham no interior dos países”. Para ele, a maneira de reduzir a impunidade é por meio de “investigações rápidas, independentes, exaustivas e técnicas”.
A SIP reúne mais de 1.300 veículos jornalísticos do continente, com executivos de jornais de todos os países reunidos para salvaguardar a liberdade de opinião e imprensa, defender o jornalismo profissional e contendo as ameaças que os jornalistas enfrentam na região.