O ESTADO DE S.PAULO – 07/10/2018
Dos clubes que responderam à reportagem do Estado , nenhum propôs a solução que pode ser a mais simples e mais eficaz no combate a proliferação de notícias falsas. Segundo Fábio Malini, coordenador do Laboratório de Estudos Sobre Imagem e Cibercultura (Labic) da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), a melhor maneira de combater as fake news é com integração e mais envolvimento das partes.
Não se trata, no entanto, de uma cruzada contra o jornalismo tradicional e centenário. “É necessário uma grande parceria, criar hashtags em conjunto, por exemplo, sobre determinado assunto. Isso já ocorre em outras áreas e funciona. O torcedor hoje está mais informado e pode colaborar também na identificação e no combate às notícias falsas do seu time.”
Os clubes, de maneira geral, monitoram as redes e a principal
preocupação está em evitar a criação de páginas que fingem se passar por oficiais. É a partir delas que as notícias inventadas passam a se proliferar nas redes sociais como sendo verdadeiras.
O diretor de marketing do Corinthians, Luis Paulo Rosenberg, comentou sobre a confusão que é feita entre os memes e as fake news. Sobre o primeiro, que é mais uma brincadeira, o clube entende que “o bom humor e a gozação fazem parte do futebol”. Sobre o segundo: “Quando o tema é grave, o Corinthians sempre se posiciona criticamente e utiliza a capilaridade de suas redes para sensibilizar a Fiel sobre temas delicados como o assédio sexual, a violência doméstica e o preconceito”, responde o dirigente.
O presidente do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia, diz que não há hoje como monitorar tudo o que se publica nas redes em relação ao clube. No entanto, quando a notícia falsa ganha repercussão, “entramos e obrigamos que ela seja deletada”.
O departamento de comunicação do Santos lembrou de um caso de notícia falsa ocorrido há alguns anos. Uma página com o nome do clube informou na rede social que estavam abertas as inscrições para a avaliação da garotada nas categorias de base. E que era preciso pagar para isso. O departamento jurídico do Santos foi acionado e resolveu o problema derrubando a página fake, sem punições aos envolvidos na falsidade. O clube passou a informar que não cobra pelas “peneiras”.
Malini diz que os clubes de futebol deveriam se debruçar e ir mais a fundo em relação às fake news. A medida é mais uma forma de se prevenir, de estar pronto para quando surgirem problemas mais sérios. Como exemplo, o coordenador citou o caso do acidente de avião com os jogadores da Chapecoense.
“Naquele momento havia muita informação desencontrada e ninguém para responder. Acho importante ter o processo de hashtags em conjunto por isso. Os clubes juntos mobilizam audiências elevadíssimas.” A assessoria
do Atlético-MG, ao ser questionada sobre maior união dos times, disse que há uma troca e que não é raro combinar discursos e posturas diante de notícias falsas, sobretudo sobre negociação de atletas./