O jornal The Washington Post publicou em sua edição de quarta-feira (17) a última coluna escrita e enviada ao diário norte-americano pelo jornalista saudita Jamal Khashoggi, desaparecido desde o dia 2 de outubro. No texto, publicado no Brasil nesta quinta-feira (18) pelo jornal O Estado de S.Paulo, o jornalista defende a necessidade de liberdade de expressão no mundo árabe, onde as expectativas criadas na Primavera Árabe, em 2011, foram rapidamente destruídas. “O mundo árabe está enfrentando a própria versão da Cortina de Ferro, imposta não por atores externos, mas por forças domésticas que disputam o poder”, alertou Khashoggi.

Em prefácio à coluna, a editora da página ‘Global Opinions’ do The Washington Post, Karen Attiah, conta ter recebido o texto do tradutor e assistente de Khashoggi no dia seguinte ao desaparecimento do jornalista. “Esta coluna capta perfeitamente seu [de Khashoggi] compromisso e paixão pela liberdade no mundo árabe. Uma liberdade para a qual ele aparentemente deu sua vida. Ficarei eternamente grata por ele ter escolhido o ‘Post’ como sua última casa jornalística, há um ano, e ter nos dado a chance de trabalhar juntos”, afirmou a jornalista.

Khashoggi, visto pela última vez ao entrar no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, afirmou no texto publicado agora que o mundo árabe precisa de uma versão moderna da velha mídia transnacional para que os cidadãos possam ser informados sobre eventos globais. “Mais importante, precisamos fornecer uma plataforma para as vozes árabes. Nós sofremos com a pobreza, má administração e educação deficiente”, disse. “Por meio da criação de um fórum internacional independente, isolado da influência dos governos nacionalistas que espalham propaganda de ódio, as pessoas comuns do mundo árabe seriam capazes de resolver os problemas estruturais que suas sociedades enfrentam”, escreveu.

Em sua última colaboração ao jornal norte-americano, Khashoggi não fez referência explícita ao príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, que, entretanto, apareceu em quase todos os demais textos do jornalista neste ano. No entanto, Khashoggi disse que os árabes, com exceção da Tunísia, vivem desinformados ou mal informados. “Eles são incapazes de abordar adequadamente, muito menos discutir publicamente, assuntos que afetam a região e suas vidas”.

Leia a íntegra do texto de Khashoggi em:

https://www.washingtonpost.com/opinions/global-opinions/jamal-khashoggi-what-the-arab-world-needs-most-is-free-expression/2018/10/17/adfc8c44-d21d-11e8-8c22-fa2ef74bd6d6_story.html?noredirect=on&utm_term=.7c76679302f3

https://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,o-que-o-mundo-arabe-precisa-e-de-liberdade-de-expressao,70002552705

https://elpais.com/internacional/2018/10/18/actualidad/1539850695_866027.html