O GLOBO – 20/10/2018

O governo americano acusou ontem uma cidadã russa de tentar interferir nas eleições de 2018 nos EUA. A queixa-crime torna Elena Alekseevna Khusyaynova, de 44 anos, a primeira pessoa a ser indiciada por tentar intervir nas eleições do mês que vem, quando serão renovados um terço do Senado e toda a Câmara dos Representantes do país.


Ela teria importante papel financeiro em um plano supostamente apoiado pelo Kremlin para conduzir uma “guerra de informação” nos EUA. A queixa diz que Khusyaynova era membro do Projeto Lakhta, financiado pelo oligarca russo Evgeny Viktorovich Prigojin e por duas empresas que ele controla, a Concord Management and Consulting LLC e a Concord Catering. Estes nomes já estavam entre as três entidades e os 13 indivíduos russos indiciados pelo procurador especial Robert Mueller em fevereiro passado, por conspiração criminal adulterara corrida presidencial de 2016, Trumpe desacreditara candidata democrata, Hillary Clinton. O processo contraKhusyayn ova, porém, não estás endo tratado por Mueller, pois inclui ações ligadas às eleições de 2018, que estão fora de sua competência. Segundo a denúncia de ontem, usando as redes sociais e outras vias, os participantes da conspiração travaram uma “guerra de informação contra os EUA”, tentando semear a desconfiança sobre candidatos e sobre o sistema político. Prigojin, o oligarca que bancaria o Projeto Lakhta, já foi atingido por sanções americanas aplicadas pelo próprio Mueller. O russo foi apelidado de “cozinheiro de Putin” porque seu negócio de catering organizava banquetes para o presidente. Agências de inteligência dos EUA disseram ontem que continuam preocupadas com tentativas de grupos estrangeiros de interferirem nas eleições do país.