As grandes empresas que dominam o meio digital, em especial o duopólio formado por Facebook e Google, deveriam investir nas pessoas e não em tecnologia para combater a apologia ao ódio que se multiplica na web, entre outros problemas. A opinião é de Kevin Systrom, co-fundador do Instagram que, ao lado do brasileiro Mike Krieger, deixou a empresa em setembro, oito anos após sua aquisição pelo Facebook.

Durante a conferência Wired 25, em São Francisco (EUA), na terça-feira (15), Systrom disse que as gigantes do Vale do Silício preferem não mexer em seus modelos de negócios quando têm de combater os problemas reincidentes em seus sites (redes sociais e buscas na internet) e aplicativos. Por isso, tratam de investir pesado na alta tecnologia ao invés das pessoas. O foco, entretanto, diz o co-fundador do Instagram, deveria ser o de garantir, orientar e capacitar os moderadores dessas companhias e os usuários para que possam controlar seus próprios conteúdos, compartilhamentos e interações.

“Isso [controle] não tem nada a ver com robôs, inteligência artificial e detecção de imagens. É apenas controle”, disse Systrom. Antes de procurar por correções técnicas, argumentou o ex-executivo do Instagram, as pessoas precisam do controle de suas vidas online tanto quanto têm de suas realidades. “Trata-se de uma mudança filosófica, na qual é dito às pessoas que elas controlam o seu conteúdo, não nós. E isso me pareceu uma grande mudança”, defendeu, segundo relato do site Quartz.

O Instagram, rede social em que o assédio – ameaças de morte, intimidação e outros abusos – é um grave problema, implementou algumas ferramentas de controle citadas pelo seu ex-executivo, oferecendo aos usuários a capacidade de encerrar comentários em suas fotos, bloquear seletivamente palavras e grupos e outros ajustes. Ao mesmo tempo, usa inteligência artificial que, no começo deste mês, passou a escanear fotografias e identificar conteúdos problemáticos.

O co-fundador do Instagram sustentou que, enquanto os filtros de IA diminuem o assédio, as maiores mudanças vieram da confiança nas pessoas para gerenciar suas próprias vidas online. “O que eu aprendi sobre a humanidade é que, se você der às pessoas as ferramentas para fazer as coisas, geralmente elas tomam as decisões certas”, disse. “Assédio, intimidação e liberdade de expressão são os principais problemas das mídias sociais de hoje”, acrescentou Systrom, que teria deixado o Instagram por conta de divergência com o CEO e fundador do Facebook, Mark Zuckerberg.

Enquanto Systrom defende o que, segundo o site Quartz, é uma “recente” descoberta filosófica – afinal, ele estava no centro do comando do Instagram por anos –, Facebook (incluindo Instagram e aplicativos), Google (e seu YouTube) e Twitter seguem fazendo várias promessas, com base em alta tecnologia, de que serão mais eficientes no combate ao ódio disseminado na internet, acompanhado de tudo quanto é tipo de desinformação, e na proteção de dados de seus clientes.

No Brasil, o Facebook, por exemplo, lançou uma ferramenta com o objetivo de apurar denúncias sobre quem espalhar boatos e desinformação no segundo turno das eleições de 2018. O sistema, que funciona desde o mês passado nos Estados Unidos por conta das eleições legislativas de novembro próximo, conta com uma opção “Informações de votação incorretas”, para ser usada quando, segundo o Facebook, houver “distorções sobre as maneiras de votar, como solicitações para que você vote via mensagem de texto e declarações não-oficiais sobre contagem de votos”, informou o UOL.

No Reino Unido, a rede social norte-americana passou a obrigar anunciantes políticos a se identificar e informar sua localização. Os anúncios, como no Brasil, serão marcados com a etiqueta “pago por”. A empresa também fez mudanças no Instagram.

Apesar disso, os escândalos envolvendo as empresas de tecnologia persistem. Recentemente, o Facebook relatou nova violação a milhões de contas de usuários, sendo que os invasores conseguiram acessar detalhes como status de relacionamento, religião, cidade natal, cidade atual, data de nascimento e tipos de dispositivos usados para acessar o Facebook de pelo menos 14 milhões de pessoas.

O Google enfrentou crise igual em seu Google+. A exposição de meio milhão de contas levou a companhia da Alphabet a encerrar a rede social que nunca ganhou conseguiu competir com Facebook e Twitter.  Apesar das falhas, Facebook e Google seguem avançando em direção a novos horizontes do mercado digital. As duas empresas apresentaram, por exemplo, seus próprios dispositivos conectados: o Portal, do Facebook, e o Home Hubsmart, do Google.

A parafernália que ajuda as empresas de tecnologia a fazer mais negócios, ampliando seus tentáculos no cotidiano de pessoas em todo o mundo, e as promessas não cumpridas assustam especialistas preocupados com todo esse poder, com a falta de privacidade e, em muitos países, ameaças à segurança nacional. “Ainda há uma ampla oportunidade para os atores, sejam nacionais ou estrangeiros, exercerem seu comércio nesse ambiente de mídia social”, disse na semana passada o ex-diretor da CIA John Brennan.

Leia mais em:

https://qz.com/1424851/now-that-instragrams-kevin-systrom-is-free-hes-talking-freely-about-whats-wrong-with-social-media-and-facebook/

https://www.theverge.com/2018/10/15/17980446/facebook-midterms-ban-inauthentic-behavior-voter-misinformation-suppression

http://fortune.com/2018/10/16/facebook-voter-suppression-deleting-disinformation/?utm_source=fortune.com&utm_medium=email&utm_campaign=data-sheet&utm_content=2018101613pm&eminfo=%7b%22EMAIL%22%3a%22IiE4S1rY9qcKSNA6Z8hX7uBP7PF%2b%2bDFf%22%2c%22BRAND%22%3a%22FO%22%2c%22CONTENT%22%3a%22Newsletter%22%2c%22UID%22%3a%22FO_DTA_391897DD-DAC7-4DA3-BFF6-7F28DD2D2D8F%22%2c%22SUBID%22%3a%2256940546%22%2c%22JOBID%22%3a%22902569%22%2c%22NEWSLETTER%22%3a%22DATA_SHEET%22%2c%22ZIP%22%3a%22%22%2c%22COUNTRY%22%3a%22%22%7d

https://www.pressgazette.co.uk/facebook-political-adverts/?utm_medium=email&utm_campaign=2018-10-16&utm_source=Press+Gazette+Daily+new+layout

https://finance.yahoo.com/news/former-cia-director-john-brennan-nervous-facebook-google-144338796.html?utm_campaign=Newsletters&utm_source=sendgrid&utm_medium=email