O GLOBO – 09/10/2018

O Google disse ontem que até 500 mil contas de usuários do Google+ foram potencialmente afetadas por um erro que pode ter exposto seus dados para desenvolvedores externos, e a empresa está desativando a versão da rede social para consumidores. Embora tenha descoberto a falha há mais tempo, o Google optou por não divulgar o problema, em parte, devido a temores de questionamento regulatório, segundo o Wall Street Journal, citando fontes e documentos internos.

Uma falha de software na rede social deu aos desenvolvedores externos possível acesso a dados do perfil privado do Google+ entre 2015 e março de 2018, quando investigadores da empresa descobriram e corrigiram o problema, disse a reportagem.

As ações da Alphabet, dona do Google, fecharam em queda de 1,02%, a US$ 1.155,92.

Os dados afetados são limitados a campos estáticos e opcionais do perfil, incluindo nome, endereço de e-mail, ocupação, sexo e idade, segundo o Google.

“Não encontramos nenhuma evidência de que algum desenvolvedor tenha conhecimento desse bug ou de abusar da interface de programação de aplicativos (código que permite que terceiros criem serviços dentro da plataforma), e não encontramos evidência de que qualquer dado do perfil tenha sido mal utilizado”, disse o Google.

RISCO DE COMPARAÇÃO COM FACEBOOK

Um memorando preparado pela equipe jurídica e de políticas do Google e compartilhado com altos executivos alertou que divulgar o incidente provavelmente acionaria “interesse regulatório imediato” e motivaria comparações com o vazamento de informações do Facebook para a consultoria política Cambridge Analytica, informou o WSJ.

O uso indevido de dados por 87 milhões de usuários do Facebook pela Cambridge Analytica, contratada pela campanha eleitoral do presidente Donald Trump em 2016, prejudicaram as ações da maior rede social do mundo e motivaram múltiplas investigações oficiais pelo mundo.

O presidente executivo do Google, Sundar Pichai, foi informado sobre o plano de não notificar os usuários depois de um comitê interno chegou a essa decisão, segundo o WSJ.

Após revisar o tipo de informação envolvida, o Google disse ontem que nenhum dos parâmetros com os quais a empresa trabalha e que determinariam a divulgação da falha foi detectado.