O diretor executivo do Google, Sundar Pichai, confirmou nesta segunda-feira (15) que a empresa estuda uma forma de entrar no mercado chinês com um aplicativo que se adequa à censura imposta naquele país. Ele revelou, durante a conferência Wired 25, em São Francisco (EUA), que em testes internos o programa pôde responder mais de 99% das buscas. “Nós queríamos saber como seria se o Google estivesse na China, então nós construímos internamente”, afirmou Pichai, salientando que a companhia pode não lançar o serviço.
Os rumores sobre os planos da companhia de retornar ao mercado chinês – a empresa deixou a China há 8 anos como um protesto contra a censura e suspeitas de ataques hackers cometidos pelo governo do país – surgiram em agosto. Imediatamente, a proposta foi criticada por funcionários e ativistas pelos direitos humanos. A China impõe uma forte censura na internet, com uma ferramenta conhecida como “Great Firewall”, em referência à Grande Muralha da China.
O aplicativo testado pelo Google, que precisaria de aprovação do governo chinês para entrar em operação, bloqueia determinados sites e impede a busca sobre termos relacionados com os direitos humanos e a religião. Funcionários criticaram o projeto, por estarem contribuindo no desenvolvimento de uma tecnologia que ajuda a China a suprimir a liberdade de expressão. “É muito cedo, nós não sabemos se faremos ou poderemos fazer isso na China, mas sentimos que era importante explorar. Acho que é importante para nós por causa da importância do mercado e do número de usuários por lá”, disse Pichai.
A ONG Great Fire, que monitora a censura chinesa na internet, informou que dos mil sites mais bem rankeados no Alexa, 175 estão bloqueados na China. A Wikipédia tem 1.048 artigos bloqueados. Temas sensíveis, como o massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989, são proibidos de serem mencionados.
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