O GLOBO – 20/10/2018

Sob intensa pressão internacional, a Arábia Saudita confirmou ontem a morte do jornalista Jamal Khashoggi, que estava desaparecido desde 2 de outubro. Segundo comunicado da Procuradoria, as “discussões” do colunista do “Washington Post” “com aqueles com quem se reuniu no consulado do reino em Istambul degeneraram para uma briga corporal, levando à sua morte ”. Não foram oferecidos mais detalhes. Dezoito sauditas, segundo Riad, foram presos. O assessor de mídia da cortereal, Saudal-Qahtani, eo vice-chefe da Inteligência, Ahmed Asiri, foram demitidos dos seus cargos. Os dois eram ligados ao príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.

O rei Salman ordenou a formação de uma comissão ministerial, chefiada pelo próprio príncipe herdeiro, para reestruturar a Inteligência do reino e “definir os seus poderes.” Apesar de seus laços com a corte, Khashoggi era um renomado crítico do regime autoritário imposto pelo príncipe herdeiro desde que chegou ao poder, em junho de 2017, e vivia num exílio autoimposto nos EUA. Ele visitou o consulado saudita em Istambul para obter os documentos necessários para seca sarcoma sua noiva turca. Nunca saiu de lá, e não se sabe do seu corpo. A Casa Branca disse ontem que reconhecia as declarações da Arábia Saudita e que continuaria a acompanhar investigações internacionais e a pressionar por uma “justiça transparente”. O presidente Donald Trump, aliado de Bin Salman, disse que as explicações são críveis e que não acha que a liderança saudita mentiu

para ele ao negar qualquer envolvimento com o assassinato. O presidente disse que o comunicado “é um primeiro passo”, e reforçou que os EUA precisam da Arábia Saudita como contraponto ao Irã no Oriente Médio. E acrescentou que, no caso de sanções punitivas à Arábia Saudita, prefere deixar de fora os contratos de vendas de armas, que somam US$ 110 bilhões. Já o senador republicano Lindsey Graham, próximo a Trump e forte crítico de Bin Salman, mostrou desconfiança sobre a história apresentada pelo reino.

—Dizer ques ou cético sobre anova narrativa saudita sobre Khashoggi é insuficiente — afirmou ele, que já acusara a Arábia Saudita pelo assassinato e defendera a suspensão da venda de armas americanas ao reino. Ao longo de duas semanas, Riad negou qualquer envolvimento no caso, afirmando que Khashoggi saíra do consulado com vida. Na Turquia, vários meios de comunicação difundiram imagens de câmeras de segurança mostrando o jornalista chegando ao consulado antes de aparecem vários veículos que entrame saem, além de agentes ligados a Bin Salman. Mas autoridades sauditas disseram que as câmeras não funcionavam naquele dia.

ESQUARTEJADO COM SERRA

Detalhes de como Khashoggi foi supostamente torturado, sedado e morto vieram a público na quarta-feira, a partir de gravação em áudio do incidente que estaria em mãos da polícia turca. A Turquia concluiu que Khashoggi foi assassinado no consulado por ordem do alto escalão da corte real do país, segundo o “New York Times”. Teria sido montada uma complexa, mas rápida, operação, na qual o corpo do jornalista teria sido desmembrado com uma serra para ossos levada ao consulado para esse fim. A versão apresentada agora pela corte para a morte de Khashoggi exoneraria o príncipe herdeiro do crime. Segundo um funcionário, ele nada sabia da operação.